Vida Consagrada: em missão para o Reino

Vida Consagrada: em missão para o Reino

  Vida Consagrada: em missão para o Reino

No último domingo, 30 de novembro, início do Ano Litúrgico e 1º domingo do advento, inauguramos o Ano dedicado à Vida Consagrada. Primeiramente nos perguntamos: Por que um Ano da Vida Consagrada? O Santo Padre Francisco, religioso jesuíta, quer colocar a Vida Consagrada no centro da reflexão da Igreja, convidando a todos a acolher o desafio de sua renovação, preconizada pelo Concílio Vaticano II. Não podemos deixar de mencionar que o Ano dedicado à Vida Consagrada foi pensado no contexto dos 50 anos da publicação do Decreto do Vaticano II, Perfectae Caritatis sobre a renovação da Vida Consagrada.  

Diante desta motivação, a Vida Religiosa é chamada a um retorno às fontes, isto é, rever as estruturas no atual contexto histórico, caminhando à luz do carisma e ensinamentos do fundador, olhando para ele e, através do seu testemunho de vida, cada um renovar o seu estado de consagração.

Alegrai-vos!” É o título do documento emanado pela Congregação para a Vida Consagrada, que exprime antes de tudo um sentimento de exultação diante de uma vocação e de um dom tão bonito concedido por Deus.

Na verdade, a Vida Religiosa é caracterizada pelo encontro com uma pessoa: Jesus Cristo!  No início de sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, o Papa Francisco nos ensina que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria”. A alegria do encontro com Jesus Cristo está no início e no futuro da Vida Consagrada. Esta mesma alegria nos motiva a termos confiança, a deixarmos de lado todo pessimismo que muitas vezes nos sufoca e nos faz enterrarmos nossos talentos. Acreditemos na beleza da Vida Religiosa, alegrando-nos primeiramente com a nossa vocação. Deixamos tudo para seguir o Senhor. Esta radicalidade evangélica é destinada a todos os batizados, porém, os religiosos são chamados a seguir de maneira especial, de modo profético. A própria identidade vivida no carisma é condição de alegria e vitalidade.

Na raiz da Vida Consagrada está a nossa motivação primeira. Consagramos-nos não para nós mesmos e sim por causa de alguém: Jesus Cristo e o fascínio que ele exerce. Não nos consagramos para sermos meros funcionários de nossas obras e instituições eclesiais, pois nos tornaríamos uma ONG piedosa, como bem nos recorda o Papa Francisco. A consagração é o conteúdo fundamental da missão dos consagrados que afirmam a primazia de Deus num mundo que se esqueceu de dEle. Nos consagramos por causa de Jesus Cristo que nos chamou para segui-lo mais de perto. Portanto, devemos assumir um grande e importante desafio: partir novamente de Cristo. A vida religiosa é cristocêntrica e o partir novamente de Cristo é restituir Cristo à Vida Consagrada e a Vida Consagrada a Cristo. O testemunho e o apostolado são consequência.

Sabemos que os consagrados são sinais do Reino de Deus inaugurado por Jesus. Reino que traz mensagem de paz, de justiça, de fraternidade e do amor de Deus, acalentando muitos corações feridos, dando assim uma nova reconfiguração na página da nossa história, muitas vezes marcadas pelo egoísmo e pelo poder.

O Consagrado deve manifestar a vocação à santidade, tendo o ardor de santidade, pois o testemunho de vida cristã, e mais ainda, de Vida Religiosa, trilha no caminho do seguimento de Jesus Cristo (sequela Christi) e da santificação.  A vocação à santidade é um caminho a ser percorrido por todos os batizados. Deus nos concede esta graça e nos mostra que a busca pela santidade é o sinal constante da presença de Deus em nós. Ele é o Emanuel, o Deus conosco, caminha conosco e, através do seu Espírito, nos motiva a ingressarmos na escola da santidade.

O religioso é chamado a viver a consagração de uma forma autêntica, mediante os conselhos evangélicos, mais conhecidos como os votos de pobreza, castidade e obediência. Os conselhos evangélicos e o carisma do  fundador delineiam o programa de vida de cada instituição religiosa. “Perfectae Caritatis” nos lembra que na variedade de dons, todos aqueles que são chamados por Deus à prática dos conselhos evangélicos e fielmente os professam, consagram-se de modo particular ao Senhor, seguindo Cristo, que, sendo virgem e pobre (cfr. Mt. 8,20; Lc. 9,58), remiu e santificou todos os homens pela obediência até à morte da cruz (Fil. 2,8). Movidos assim pela caridade, que o Espírito Santo derrama nos seus corações (cfr. Rom. 5,5), mais e mais vivem para Cristo e para o seu corpo, que é a Igreja (cfr. Col.- 1,24). Quanto mais fervorosamente se unirem, portanto, a Cristo por uma doação que abraça a vida inteira, tanto mais rica será a sua vida para a Igreja e mais fecundo o seu apostolado” (PC 1).

Para viver a fidelidade ao carisma, a santidade e os conselhos evangélicos, o consagrado deve experimentar uma profunda intimidade com Deus, através da vida de oração pessoal e comunitária e através da vida fraterna em comunidade. São três dimensões que se convergem e nos colocam em plena sintonia com Deus, com nossos irmãos e com nosso apostolado. Que nossos religiosos vivam estas dimensões, pois a alegria e a renovação da Vida Consagrada perpassam por elas. O Papa Francisco, ao anunciar o Ano dedicado à Vida Consagrada, olha com o coração de Pai e Pastor para todos os consagrados, motivando-os a serem peritos em comunhão na Igreja e na sociedade, inseridos na Igreja particular em comunhão com o Bispo. Deus abençoe a todos os consagrados para que continuem sendo sinais e testemunhas do amor e da ternura de Deus.

Um feliz ano da Vida Consagrada!

 Pe. Geo

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