SUPERIOR GERAL ORIONITA INCENTIVA MISSÃO EMERGENCIAL EM RORAIMA

SUPERIOR GERAL ORIONITA INCENTIVA MISSÃO EMERGENCIAL EM RORAIMA

“Outra coisa não vejamos no mundo, senão almas e irmãos a salvar” (Dom Orione).

Pe. Tarcísio Vieira, Superior Geral da Congregação Orionita, escreve carta incentivando abertura imediata de uma frente missionária em Roraima para apoiar os venezuelanos refugiados em ajuda à Igreja Local.

Caríssimos Confrades

Província “Nossa Senhora da Anunciação” — Brasil Sul Província “Nossa Senhora de Fátima” — Brasil Norte

Tanto bem e tanta paz, no Senhor!

Nos dias 24 e 25, terça e quarta-feira, os dois provinciais orionitas brasileiros, Pe. Josumar dos Santos e Pe. Rodinei Thomazella, visitaram a Diocese de Roraima, a convite do Sr. Bispo, Dom Mário Antonio da Silva.

A motivação para esta visita teve sua origem no Encontro dos Conselhos Provinciais da América Latina (Rio de Janeiro, 27/02 — 03/03) quando as duas províncias se sentiram interpeladas pela dramática situação do povo venezuelano que, em grande número, está atravessando a fronteira brasileira em busca de melhores condições de vida. Tomou-se ali a decisão de oferecer à diocese de Roraima uma ajuda concreta para enfrentar a emergência pastoral em que se encontra, com o dever evangélico de acolher espiritualmente e de integrar socialmente centenas de migrantes.

O Sr. Bispo, Dom Mário, ao tomar conhecimento da nossa disponibilidade, considerou oportuno que a Congregação organizasse uma visita à Diocese para verificar localmente a situação e, deste modo, poder decidir qual o tipo de ajuda se poderia oferecer, com que meios e pessoas.

Ao retornar, os provinciais me relataram que percorreram os vários locais onde a Igreja tem expressiva atuação junto aos imigrantes venezuelanos, desde a distribuição de cestas básicas e mutirão para servir as refeições diárias aos que vivem em acampamentos, até os serviços na área de apoio educativo às crianças e de encaminhamento de documentação e cadastramento em vista de eventuais empregos para os adultos.

Em diálogo com o Sr. Bispo, Pe. Josumar e Pe. Rodinei ficaram mais tendentes a aceitar o desafio de enviar confrades/missionários para a Área Missionária de Pacaraima, uma cidade que dista 189km da capital Boa Vista. É exatamente a localidade que faz fronteira com a Venezuela, sendo a porta de entrada dos imigrantes no Brasil. Sob a condução de um único sacerdote, Pe. Jesus Lopez Fernandez de Bobadilla, missionário espanhol, a Paróquia de Pacaraima, além de trabalhar junto às comunidades em sua missão pastoral evangelizadora, tem a árdua tarefa de acolher e auxiliar quem atravessa a fronteira, especialmente os indígenas que fogem da fome, da falta de serviços de saúde e do abandono na Venezuela.

A situação em que vive o povo venezuelano faria sangrar o coração de Dom Orione. E as palavras que pronunciou na América Latina ao verificar o drama dos imigrantes italianos podem ser atualizadas, hoje, por nós: “Chorava ao ver aqueles nossos imigrantes abandonados à própria sorte, distantes da pátria e tentados a abandonar também a fé… Chorava ao ver aquele povo sem um sacerdote que batizasse as crianças, que confortasse os seus doentes, que abençoasse os túmulos dos seus mortos…”.

Nós somos, hoje, Dom Orione. Que resposta daremos em nome da nossa identidade de filhos do grande apóstolo da caridade, pai dos pobres e benfeitor da humanidade sofredora e abandonada?

Somos motivados a esta iniciativa também por uma particular ligação da Província “Nossa Senhora de Fátima” (Brasil Norte) com a Venezuela, recordando que a nossa presença naquela nação se iniciou em 1985, em Barquisimeto, com o envio dos nossos religiosos, Pe. Italo Saran (falecido na Venezuela em 1991) e Pe. Ademar José dos Santos, atualmente Diretor do Pequeno Cotolengo de Caucaia.

Nossa tarefa em Pacaraíma seria a de acompanhar o pároco local, Pe. Jesus, nas atividades ligadas à pastoral e no atendimento às necessidades dos migrantes, sejam aqueles que estão acampados, sejam os transeuntes que começam desde aquele local a sua caminhada dolorosa rumo a um futuro incerto em terras brasileiras ou em outras nações da América do Sul.

Esta missão teria, inicialmente, a duração de 1 ano e exigiria, pelo menos, a disponibilidade de dois sacerdotes, um de cada Província brasileira. Possivelmente se unirá ao grupo, por um período, um terceiro sacerdote, segundo a disponibilidade da Província da Argentina. No que diz respeito aos recursos financeiros para a manutenção dos religiosos, para a aquisição de um veículo e para a organização de alguma ajuda aos migrantes, deveremos organizar uma coleta solidária em nossas paróquias e comunidades, para que seja efetiva a nossa contribuição à Igreja de Roraima. Da minha parte, comprometo-me a envolver outras províncias, bem sabendo que a Província “Nossa Senhora do Pilar” (Espanha e Venezuela) está muito empenhada em manter, com não poucas dificuldades, as nossas obras em Barquisimeto (Paróquia e dois Cotolengos com mais de 200 assistidos) e em Caraballeda (Paróquia com diversas atividades caritativas).

Caríssimos Confrades, agora é o momento da disponibilidade missionária e do discernimento do Conselho Provincial. Não temos muito tempo. É necessário começar quanto antes (máximo até junho) porque este é o momento da emergência. Portanto, quem está disponível para partir, pobre entre os pobres, movido somente pelo amor de Cristo e dos irmãos mais necessitados, dialogue com o próprio Provincial e se ofereça para esta missão. Em Pacaraima “está tudo por fazer” (Pio X a Dom Orione, ao manda-lo para a Patagônia romana). Por isso, é preciso partir com o espírito, a coragem, a paciência e a disponibilidade de verdadeiros missionários.

A todos peço que rezem na intenção deste projeto missionário que, inspirado na audácia e na coragem de Dom Orione, bem poderia se intitular “Projeto Coração Sem Fronteiras”.

  Fraternalmente, P. Tarcísio Vieira

      Diretor Geral

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