O Valor do Ser Humano

O Valor do Ser Humano

 

O Valor do Ser Humano

 

A notícia ocupava boa parte das páginas do jornal. A narração não media informações. Não se preocupava em ocultar dados. Era clara: jovens se encontravam até altas horas da madrugada em uma localidade da metrópole a fim de poderem usar drogas, ingerir bebidas alcoólicas livremente e manter relações sexuais. Os moradores do bairro não sabiam mais o que fazer para que aquelas cenas expostas tivessem fim. Quando algum morador passava de carro, ou melhor, tentava passar no meio dos grupos de jovens, era automaticamente reclamado pelos presentes a ponto de receber batidas no veículo como forma de ‘protesto’ por estar supostamente ‘atrapalhando’ a ‘diversão alheia .’

Quando vi a notícia que, pra mim se destacou diante das outras, veio necessariamente uma série de questionamentos. Por que aqueles jovens estavam fazendo aquilo consigo mesmo e com os outros? O que levou a eles considerarem aqueles atos como forma de ‘diversão jovem?’ O quê ou quem realmente faltou na vida deles? Será que os meios ou locais de lazer oferecidos a nossa juventude não são os mesmos que a destroem? Outras perguntas ainda residem como forma de tentar entender o que o ser humano é capaz de buscar e, porque buscar… Recorro ao que a Psicologia pode me oferecer de compreensão, ao que a Sociologia pode analisar ao que a Filosofia positiva responde questionando… ao que a Teologia, matéria prima de minha atual ocupação, me ilumina.

Em fim, ao que algumas reflexões sobre o ser humano podem auxiliar. Diante de possíveis respostas, uma pergunta permanece: Será que aqueles jovens compreendem o valor que possuem? Será que eu entendo por completo o valor que possuo?Aqui, expresso valor humano como dignidade. Trago comigo a verdade de que o ser humano possui uma dignidade que lhe é própria e que precisa, dia-a-dia, reconhecer. Penso que é necessário, urgentemente, recordar o valor de ‘ser’ humano. Não um recordar apenas em memória, mas um recordar próprio do latim, trazer novamente ao coração. E consequentemente trazer em atitudes concretas.

Na medida em que me ocupo daquilo que vai acrescentar algo de positivo em mim; no momento em que escolho o melhor para o meu aprimoramento humano, o melhor conteúdo, as melhores circunstâncias, as melhores companhias, vou necessariamente recordando, em atos, o valor que me é nato. Sou pessoa humana e preciso constantemente agregar valores a este qualitativo. Buscar o que está à altura desta dignidade. Comportar-se como se fosse um animal qualquer em busca de satisfações momentâneas e sem consciência é delicado. Tal busca tenderá a não reconhecer a dignidade que há em ‘se construir’ com o que realmente vale a pena! Posso contribuir para o meu processo de ‘desconstrução’ e agir contra mim mesmo. O poeta e sua sensibilidade nos ajudam: “O maior inimigo que nós podemos ter na vida está aqui dentro, sou eu, eu é que faço perder”. Contudo, confesso: ainda acredito que o ser humano é valioso e que não pode se conformar com o mínimo buscando ações que o minimizam. Não quero que as notícias coloquem em crise esta verdade em mim permanecida e sim, que elas continuem a me alertar para a urgência de recordá-la!

Seminarista: Evandro Carvalho

Diocese de Uruguaiana-Rs

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