Na celebração centenária dos orionitas no Brasil, Dom Orione retorna a Mar de Espanha-MG

Na celebração centenária dos orionitas no Brasil, Dom Orione retorna a Mar de Espanha-MG

Na celebração dos 100 anos de missão orionita no Brasil,  Dom Orione retorna a Mar de Espanha

Brasília.DF: A Peregrinação da Gratidão, celebrada em Mar de Espanha no último domingo,16, foi, em todos os sentidos, um evento “do Centenário”, especialmente na sua amplitude, com a participação de representantes das Comunidades, vindos de diversas partes do Brasil.

Os peregrinos foram acolhidos alegremente pelos jovens já na entrada da cidade e encaminhados, logo depois, para o Ginásio Poliesportivo onde ocorreu uma Festa de Acolhida das Caravanas. Um desfile de bandeiras, onde triunfava em primeiro lugar a de Mar de Espanha, abriu a cerimonia. Logo depois as caravanas foram apresentadas e ouvimos a saudação dos Provinciais, Pe. Tarcísio e Pe. Aparecido, e também do Representante do Superior Geral, Pe. João Batista de Freitas. Ouvimos também a palavra do Pároco, Pe. Osmar Bezerra, e do Sr. Prefeito, Wellington Marcos Rodrigues. Na sua palavra, Pe. Tarcísio fez questão de agradecer ao prefeito municipal a acolhida da população ao povo orionita. Todas as saudações intercaladas com cantos e especialmente com execuções musicais da Banda “24 de Setembro”.

Antes de partir para uma caminhada pelas ruas de Mar de Espanha foi dada a benção e o envio dos peregrinos. Um silencio profundo calou sobre todo o ginásio e todos rezaram: “Nós vos louvamos e bendizemos, ó Deus, porque enviastes ao mundo o vosso Filho para redimir a humanidade. Agradecemos pela ação criativa e dinâmica do Espírito Santo que suscita, de acordo com as necessidades do mundo, homens e mulheres comprometidos em testemunhar vossa Palavra e anunciar o vosso reino. Agradecemos pela presença de São Luís Orione, o pai dos pobres e benfeitor da humanidade sofredora, no solo mardespanhense. Nossa gratidão se estende aos seus filhos espirituais que aqui chegaram há cem anos. Abençoai Senhor essa cidade, para que seus habitantes sejam comprometidos com a caridade. Que nossa visita a esta cidade, agora com a caminhada rumo ao Santuário da Mãe das Mercês, nos conceda a graça de reavivar o ardor apostólico que movia São Luís Orione a renovar todas as coisas em Cristo e a fazer de Cristo coração do mundo. Amém.

Deu-se início então a um verdadeiro “desfile de Orioninidade” pelas estradas da cidade: caminhamos no chão que São Luís Orione pisou. Foram realizadas paradas temáticas, ouvimos testemunhos e a palavra de Dom Orione segundo três temas: Dom Orione e a juventude; Dom Orione um dom aos pobres; Dom Orione e Mar de Espanha. Na caminhada e nas paradas, cantamos e rezamos.

Finalmente a chegada ao Santuário Nossa Senhora das Mercês para receber e acolher a Relíquia do Sangue de São Luís Orione e para a Santa Missa. O Pároco recebeu a Relíquia das mãos do Provincial, Pe. Aparecido da Silva.

Na Santa Missa, presidida pelo Pe. Tarcísio Vieira, foi recordado o motivo da Peregrinação da Gratidão. Partindo do sonho missionário de Dom Orione, Pe. Tarcísio recordou a decisão dos três primeiros missionários de fazer com que o sonho se realizasse: “Um silencio, profundo e doído, inunda a alma do jovem Orione, numa noite de julho de 1893. Tinha chegado a ordem de fechar o Oratório. Logo depois, sinal de obediência incondicional, já tinha deposto a chave do Oratório nas mãos de Nossa Senhora. Agora estava em seu pequeno quarto. Reza e chora. Chora e reza, encostado na janela. Adormece e sonha. Vê então aparecer Nossa senhora com um grande manto azul que se alargava, de modo que não se distinguiam mais os limites, que cobria tudo e todos até o horizonte mais distante, jovens, cujo número ia se multiplicando extraordinariamente, sempre mais, de todas as cores, raças, nações… e Nossa Senhora se dirige a Luís Orione indicando-os. “Entendi – escreve mais tarde Dom Orione ao seu Bispo – Eu entendi que o sonho se referia às missões, e entendi isso num momento de oração, como uma luz repentina e esplêndida que Nossa Senhora me fez ver!”.

É o sonho missionário de Nossa Senhora do Manto Azul. Bastou um pouco de paciência e, logo, logo, o sonho acordou com uma tal “fome e sede de almas” que foi constrangido a colocar-se imediatamente em viagem para buscar o nutrimento necessário para existir. De fato, anos depois, em 17 de dezembro de 1913, às 16 horas, o sonho se concretiza com o envio dos primeiros missionários para o Brasil, partindo de Genova e chegando, no dia 2 de janeiro de 1914, em Mar de Espanha, território do Bispo Dom Silvério Gomes Pimenta, bispo da comunhão com o Papa e do ardor missionário. Encontro de duas almas sonhadoras.”

Ao final da celebração foi realizado o envio da Peregrinação da Relíquia do Sangue de São Luís Orione pelas comunidades da Província Brasil Norte. O Provincial se expressou desejoso de que o “Sangue de São Luís Orione”, percorrendo todo o “sistema circulatório” do organismo que é a Província Nossa Senhora de Fátima, a mantenha especialmente vivificada e vivaz. Que tonifique todas as nossas atividades para que continuem ardendo de caridade. Que inflame cada um de nós de um amor sem fronteiras, capaz de provocar tanto desejo de consumação pessoal e comunitária pela salvação das Almas.”

Em Mar de Espanha tivemos, no dia 16 de março, uma jornada de “Transfiguração Orionita”. Certamente todos retornaram mais dispostos a enfrentar as desfigurações do mundo, qualquer seja a forma que assumirá em nosso cotidiano. Pe. Pedro Júnior sintetizou o sentido da ida até a cidade origem da presença missionária orionita no Brasil: “Creio que este encontro em Mar de Espanha nos trouxe uma nova esperança quando ao futuro da Congregação no Brasil. Ali, naquela cidade simples, Dom Orione viu e sentiu a importância de uma nova frente de evangelização nestas terras e expandiu a sua obra para todo o Brasil. Alguns pontos me chamaram a atenção na Peregrinação: a boa quantidade de participantes; a boa organização e acolhida do povo da paróquia; a percepção de que, mesmo depois de mais de 70 anos da saída da Congregação da cidade, respira-se Orioninidade ali; o empenho das casas, mesmo distantes, em participar.

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