JMJ, escola da nova evangelização

JMJ, escola da nova evangelização

JMJ, ESCOLA DA NOVA EVANGELIZAÇÃO

 

Pe. Thomas Rosica*

MADRI, quarta-feira, 17 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Ao longo do seu pontificado, o Papa João Paulo II teve uma enorme popularidade entre os jovens católicos. Uma das grandes razões foi a ênfase que deu às Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), uma iniciativa que começou em 1985. Através desses encontros nacionais e internacionais, João Paulo II deixou muito claro: os jovens não somente são o futuro da Igreja, mas também o seu presente.

Diante do cinismo, do desespero e da falta de sentido que prevalecem no mundo de hoje, a base da nova evangelização no coração do ensinamento de João Paulo II é inspirar esperança e vitalidade na Igreja. O Papa sabia muito bem que o mundo frequentemente se caracteriza pela separação, fragmentação e solidão. Através do dom das JMJ, ofereceu grandes oportunidades para converter-se em portadores de esperança, agentes da comunidade e instrumentos de uma globalização moral.

A beatificação do Papa João Paulo II nos convida a fazer um balanço dos dons que recebemos dele e a examinar a forma em que sua visão e esperança afetaram nossos próprios esforços no ministério pastoral com adultos jovens.

A formação de uma geração

Entre os elementos centrais das JMJ se encontram o culto, a Sagrada Escritura, as catequeses, os sacramentos, a cruz, os santos, a peregrinação, o serviço e as vocações. Cada um destes componentes contribui em grande medida para um ministério pastoral eficaz com os jovens e deve encontrar seu lugar nesse ministério.

A preparação para as JMJ oferece à Igreja grandes momentos para aprofundar na piedade cristã e na devoção. Em todo o Canadá, é pouco provável que se esqueçam das poderosas imagens da cruz da JMJ durante sua histórica peregrinação em 2002. Com a ajuda dos Cavaleiros de Colombro, a cruz viajou através de mais de 350 cidades, povoados e aldeias, de costa a costa. Finalmente, durante as Estações da Cruz, foi um profundo testemunho da história cristã no coração de uma cidade moderna.

Os jovens adultos precisam de heróis e heroínas de hoje e o Papa João Paulo II nos deixou excepcionais modelos de santidade e humanidade. Durante o seu pontificado, ele canonizou 482 santos e proclamou outros 1.338 beatos. Que apropriado que um dos principais padroeiros da JMJ de Madri seja o beato João Paulo II.

Muitos sacerdotes e religiosas jovens disseram “sim” à sua vocação graças ao testemunho pessoal de João Paulo II, quem lhes disse “Não tenham medo!”. Muitos homens e mulheres jovens descobriram o sentido da sua teologia do corpo e chegaram ao matrimônio com profunda fé e convicção. E muita gente comum fez coisas extraordinárias graças à sua influência, seu ensinamento e até seus gestos.

O extraordinário impacto que João Paulo II teve nas gerações mais jovens felizmente continuou com o seu sucessor. Durante a Missa de encerramento da JMJ em 2008, o cardeal George Pell, de Sydney, agradeceu ao Papa Bento XVI com estas palavras: “Sua Santidade, as Jornadas Mundias da Juventude foram uma invenção do Papa João Paulo II o Grande. A JMJ em Colônia já havia sido anunciada antes da sua eleição. E o senhor decidiu continuar com as JMJ e realizar esta em Sydney. Estamos profundamente agradecidos por esta decisão, o que indica que as JMJ não pertencem a um Papa, nem mesmo a uma geração, mas agora fazem parte normal da vida da Igreja. A geração de João Paulo II – jovens e velhos por igual – se orgulha de ser composta por filhos e filhas fiéis do Papa Bento XVI”.

Uma Igreja jovem

Uma pessoa pode optar por falar sobre sua experiência na JMJ como algo do passado, que iluminou as sombras e a monotonia da vida em um brilhante momento na história. Há, no entanto, outra perspectiva. A história do Evangelho não trata de momentos de “Camelot”, mas de momentos “Magnificat”, convidando constantemente os cristãos a aceitarem o hino de Maria de louvor e ação de graças pelas formas em que Deus Todo-Poderoso transita pela história humana, aqui e agora. Em outras palavras, a vida cristã não se nutre somente de lembranças, por mais belas que sejam. A Ressurreição de Jesus não é a lembrança de um acontecimento distante, mas a Boa Nova que continua se realizando.

Devemos ser honestos e admitir que as JMJ não oferecem uma panaceia ou uma solução rápida aos problemas da nossa época, tampouco aos desafios que a Igreja de hoje enfrenta quando nos aproximamos das gerações mais jovens. No entanto, estes eventos oferecem um novo cristal por meio do qual enxergamos a Igreja e o mundo e construímos nosso futuro comum. Uma coisa está clara: ninguém poderia ir embora de Toronto, Colônia ou Sydney pensando que é possível dividir sua fé em seções ou reduzi-la a poucas regras e celebrações do domingo.

Não posso deixar de recordar as palavras comoventes do cardeal James Francis Stafford, ao dirigir-se à multidão de jovens reunidos ao redor da Praça de São Pedro, na cerimônia de inauguração da JMJ do Jubileu, em 15 de agosto de 2000. Dirigindo-se ao Papa João Paulo II, visivelmente emocionado e envelhecido, o cardeal Stafford disse: “Santo Padre, à medida em que transitava pela década de 60, às sessões do Concílio , para expressar mais uma vez o mistério da sempre jovem Igreja, o senhor experimentou muitas vezes o abraço destas grandiosas colunatas. Hoje, todos nós oramos para que sua felicidade possa ser completa. Porque estas multidões juvenis, agora também cercadas pelos braços de São Pedro, são testemunhas vivas da esperança do Concílio e da sua”.

Assim, o cardeal expressou da forma mais bela a missão e o propósito das JMJ, que são uma foto instantânea da alegria, da esperança e da unidade às quais a Igreja está chamada. Como disse o Papa Bento XVI em sua homilia inaugural em 2005, “a Igreja está viva e é jovem; carrega em si o futuro do mundo e, portanto, indica também a cada um de nós o caminho rumo ao futuro”. As JMJ são uma lembrança desta verdade.

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* O sacerdote e religioso basiliano Thomas Rosica foi o diretor nacional e executivo da JMJ de 2002, em Toronto. É diretor executivo da emissora católica de televisão Salt and Light, do Canadá, desde 2003.

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Fonte: Zenit

 

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