Festa da Achiropita atrai 40 mil por noite em SP

Festa da Achiropita atrai 40 mil por noite em SP

 

Festa da Achiropita atrai até 40 mil pessoas por fim de semana

Maior festa italiana do Brasil termina neste domingo, dia 4.

SÃO PAULO – Eles falam ao mesmo tempo, riem alto, cantam e, às vezes, até brigam. Típica de um almoço de família italiana, a cena ganhou proporções bem maiores no domingo passado, quando 900 voluntários se reuniram no Bexiga (centro de São Paulo) para os últimos ajustes da festa de Nossa Senhora Achiropita.

Aos 85 anos, a tradicional celebração –que, estima-se, chega a atrair 40 mil pessoas por fim de semana– ainda tem todo o seu trabalho executado pela comunidade. O único serviço terceirizado é a montagem das barracas, que ficam de pé uma semana antes.

A preparação do banquete começa logo após a festa do ano anterior. A mão de obra é dividida em grupos, cada um deles comandado por um casal de “mama” e “babo”. Em janeiro, os responsáveis por atrair patrocinadores –em geral, fabricantes de farinha, açougues e bancos– começam a visitar empresas.

Em abril, o pessoal incumbido de decorar as ruas inicia a linha de produção dos enfeites. Em maio, a equipe que cuida das compras e do almoxarifado se agita para que, duas semanas antes da estreia, todos os ingredientes já estejam à mão.

Vilma Dias de Souza, 56, a dona Tata, e Carlos Eduardo Souza, 55, são o casal escolhido para organizar o trabalho das 30 “nonas” que se revezam nas panelas. “Somos os mais novos daqui”, diz Carlos Eduardo, que participa da Achiropita há três décadas. Somadas as idades das 14 senhoras que cortavam berinjelas para os antepastos na última segunda-feira, são mais de mil anos de expertise.

Sem hora para sair

Tudo é preparado na cozinha industrial instalada na sede da paróquia. A uma semana e meia da abertura do evento, o molho de tomate começa a ser produzido. São feitos e armazenados 20 caldeirões por dia. Cinco dias antes, é a vez de descascar berinjelas, cebolas e batatas. E, a partir da quarta-feira anterior à festa, são preparados os pimentões recheados.

“Começamos às 9h e não temos hora para sair. É assim o mês inteiro”, diz Carlos Eduardo. Toda a comida feita com antecedência fica armazenada em duas câmaras frias, também dentro da paróquia.

Ele e dona Tata coordenam o grupo da cozinha, mas a palavra final sobre o que entra nas panelas é de Ida Pugliese, 78. Filha de italianos, dona Ida nasceu no Bexiga e se lembra dos primeiros anos da festa, quando três ou quatro barraquinhas sorteavam galinhas, utensílios domésticos e até pinguim de geladeira. Foi ela que criou, em 1977, um dos pratos mais cobiçados do evento: a “fogazza”.

Fonte: Folha de São Paulo

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