Diário de Moçambique – Dois orionitas missionários na África

Diário de Moçambique – Dois orionitas missionários na África

DIÁRIO DE MOÇAMBIQUE

O DIA A DIA DE DOIS MISSIONÁRIOS BRASILEIROS EM MOÇAMBIQUE, NA ÁFRICA

 

Por pe. Paulo Sérgio Martins (pe. Paulinho)

 

Primeiro dia.

Eu e o Pe. Gilberto chegamos bem, meio zonzos com os fusos horários. Agora é exatamente 09:04 aí no Brasil e aqui é exatamente 14:04 da tarde. Significa que nem bem tomamos o café no avião (Africa do Sul-Maputo)  e  o Pe. Vanderlei, o Pe. Paulo Damim já nos esperavam  com a mesa pronta. Os seminaristas chegaram logo a seguir e o primeiro encontro deu-se no almoço. Logo após fizemos a visita ao santíssimo.

No caminho para nossa missão (uns 25 minutos do Aeroporto), as ruas iam nos apresentando a povo moçambicano. Quantos jovens! Quantas crianças! era hora da saída da escola. A primeira impressão, Moçambique se nos mostrava com toda sua força, com toda sua energia de uma nação muito jovem. 

 

Segundo dia.

Impressões não dão conta da verdade, são provisórias, mas é um primeiro caminho.

De madrugada a noite cresce e a gente fica pequeno

A missão é algo para se pensar com seriedade sem idealismos.

A missão nos envolve por completo de fora para dentro

É nela que temos que navegar, senão torna-se impossível.

Tenho sede é de papel e caneta

A cama está cercada pelo rede que me separa de uma possível picada de um mosquito da malária.

Para garantir ensinaram-me a utilizar uma raquete que eletrocuta mosquitos,

Tenho-a ao lado da cama.

 Gosto do barulho que faz, “peguei mais um…”

Ontem a noite foi a despedida do Pe. Rômulo bom italiano,

Faz muito pelos lugares por onde passa.

Deixa a casa aqui estruturada e bonita como um pequeno oásis.

Os jovens Voluntários de Dom Orione deram o tom das homenagens,

São por volta de 40 jovens.

Duas vezes por semana, cuidam dos jardim

Dão banho nas crianças deficientes, brincam com elas,

Estão dispostos a qualquer outro auxílio.

As músicas da missa são cantadas no dialeto local,

O que é aquilo? É de encantar e enternecer qualquer ser vivo.

Uns 10 Arautos do Evangelho, emolduravam a celebração com cantos solenes que surgiam dos instrumentos.

Moçambicanos “fardados de cruzados” me deixam assustado

Destoam do evangelho e mais ainda do lugar onde se encontram.

Uma ordem e uma aparente disciplina que limitam as experiências humanas de um povo que transpira de alegria e espontaneidade. São arremedos de um passado europeu, que em nada que se aproximam da força e da doce sonoridade da cultura local.

 As homenagem para o padre. Que homenagens! Uma mistura de palavras que vinham de outra margem da alma. Eram muito bonitas e verdadeiras.

Quando recordo as impressões que tive pelas ruas durante o dia,

da economia informal em cada canto;

da situação das escolas;

da fragilidade do solo;

Da quantidade de Igrejas Universais;

A noite cresce e a gente fica mais pequeno

Como se um gigantesco mosquito já estivesse dentro da rede protetora da cama.

Mas me deram aqui uma poderosa raquete eletrocutadora de medos,

A esperança é tudo.

 

Terceiro dia.

Hoje fomos com mais tempo ao Cotolengo de Maputo, fui entregar um presentinho que a Irmã Líbera enviou para o Pe. Geraldo. Ele assumirá em breve o Cotolengo com a ida do Pe. Rômulo. 

Pela manhã andamos bastante pelo centro da cidade. Caminhamos para o ponto, caminhar pela areia macia do nosso do bairro Bagamoyo exige um pouco mais de esforço das pernas, fomos para o centro de Maputo de”Chapa” as lotações daqui, deveras quase sempre lotadas.O trânsito é como se fosse o da Índia.

Camelôs vendem menos produtos mas estão diluídos por toda a cidade.

Vimos mesquitas, prédios do governo, e  mais camelôs, vê-se a diversidade de etnias provenientes de outros países da África mesmo, um momento ou outro chineses. Chega

 até ser engraçado e estranho, ver os veículos com o volante do lado direito. O Pe. Wanderlei disse que quase o mundo inteiro todo dirige assim, diferente somos nós no Brasil, ele como exemplo citou a Índia, Inglaterra e os países vizinhos daqui. Sei não, teríamos que fazer as contas.

Não pude fazer fotografias, o tirar fotografias livremente aqui tem algo de proibido, quando tirada por estrangeiros. Vale investigar melhor o motivo profundo disso. Em nossa casa, ontem quando tirava fotografia de uma criança que sorria a menina mais velha que segurava a cadeira de rodas tampava o rostinho a cada click. As explicações que recebi até agora todas elas se justificam, com razão. Por respeito tenho evitado tirar fotos que exponham demais as pessoas e suas situações.

 Fomos ver um carro da paróquia que estava no conserto, vai ficar mais caro do que pensavam para arrumar.

Pe. Vanderlei foi também pagar a Eletricidade, esqueçam quem imagina uma conta de luz a ser paga. Aqui eletricidade é pré-paga como os celulares. Você paga antes e digita os códigos no relógio para usar, legal né? Pe. Vanderlei levou-nos para tomar um café acho que “Cantinho do brasil” , pediu um café na banheira e um pão com ovo, eu o padre Gilberto pedimos o mesmo. Vai saber…

A banheira é uma xícara maior, adiantou o Wanderlei. O pão com ovo é chamado de Sande. Tava muuuuuuuito bom!

Agora às 18:30, celebraremos a Santa Missa

 

Pe. Paulinho

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