A caridade que torna bela a igreja

A caridade que torna bela a igreja

 
 

 

A CARIDADE QUE TORNA BELA A IGREJA

 

Que estilo de “pequena obra” da Divina Providência os religiosos orionitas e leigos são chamados a continuar no espírito nos passos de Dom Orione? O que significa sermos filhos e filhas da Divina Providência?

Filhos da Divina Providência é a qualidade que caracteriza todos os seguidores de Dom Orione. Os religiosos também trazem este nome. Hoje, porém, em época de secularismo, que é a forma moderna do paganismo, não se acredita mais na Divina Providência, isto é, na presença e na ação amorosa de Deus na vida humana. Está em crise a confiança na Divina Providência.

Fé na Divina Providência

         Casa da Divina Providência foi o nome dado por Dom Orione ao primeiro colégio fundado em Tortona, em 1894. Após dois anos, em uma carta ao seu bispo Dom Bandi, apresentava a si e os seus seguidores com o nome “Filhos da Divina Providência”. Chamou toda a família carismática por ele fundada de “Pequena Obra da Divina Providência”. Assinava acrescentando o próprio nome “da Divina Providência”. Ensinou que “o amor filial e a confiança no Pai que está no céu” é o “fundamento da nossa espiritualidade”. A experiência da Divina Providência é a fonte, a atmosfera e o dinamismo de Dom Orione e de quem vive o carisma.

A Igreja é a grande “providência” de Deus

            A fé na Divina Providência vivida e transmitida por Dom Orione se exprime como paixão pela Igreja na perspectiva da salvação da humanidade. Por quê? A igreja é a grande “providência” que o Senhor entregou à humanidade para continuar no tempo a obra de salvação já realizada por Cristo(cf. Mt 9,35 – 10,15) e resumida naquele slogan latino, difícil de traduzir e fácil de compreender: Renovar tudo em Cristo (Ef 1,10). Leiamos com atenção este importante texto com o qual Dom Orione apresentou a sua “Pequena Obra”para a aprovação oficial da Igreja.

         “A obra da Divina Providência, nos séculos antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, se destinava a preparar a humanidade para receber Jesus Cristo redentor; e, depois da vinda de Nosso Senhor no curso dos séculos nos quais a Santa Igreja milita na terra, a obra da Divina Providência consiste em renovar tudo em Cristo…, unindo toda a humanidade em um só corpo, a Santa Igreja Católica, constituída por Nosso Senhor Jesus Cristo sob a divina potestade dos bispos, em união e dependência com a divina e suprema potestade apostólica do Bem aventurado Pedro, que é o Romano Pontífice. O nosso pequeno Instituto reconhece no Romano Pontífice o eixo central da obra da Divina Providência no mundo universo e tem como seu fim principal… empenhar-se com toda obra de misericórdia… no intento de contribuir para reforçar, no interior da Santa Igreja, a unidade dos filhos como Pai e, no exterior, contribuir para refazer a unidade desfeita com o Pai”.

A Caridade que forma a Igreja

            Claro? A “pequena obra” de nós orionitas, que formamos a Obra da Divina Providência, consiste em “empregar-se com toda obrade misericórdia” para “contribuir e reforçar a unidade dos filhos com o pai”(Pai aqui se refere ao Papa) que é o “fundamento da “obra da Divina Providência”. Com certeza, podemos dizer que o carisma orionita se exprime como “a caridade que forma a Igreja”, porque “a caridade que é exercitada na nossa instituição em nome e no amor do Papa e da Igreja, com o objetivo criar este amor em todos, é precisamente aquela que responde melhor a necessidade dos tempos. E este é o espírito que anima a Obra da Divina Providência, esta é a sua fisionomia, o seu caráter típico: renovar tudo em Cristo!” (Nel nome, p.37).

Em Oradea, a Igreja tornou-se simpática

            Para confirmar essa dinâmica carismática específica, recebo vários episódios. Por exemplo, o que ouvi do bispo do rito grego católico de Oradea, Vasile Hossu, um dia após a queda do regime comunista na Romania. É uma parábola carismática. “Um dia, viajando de carro com o Pe.Luigi Lazzarin – dizia o bispo- fomos parados pela polícia que nos tratou de uma forma desrespeitosa mesmo sabendo que eu era bispo. Pe. Luigi Lazzarin, após algumas tentativas para acalmar o policial, disse que estava com pressa para chegar em Oradea, porque os confrades e os meninos do oratório estavam nos esperando. ‘Oratório? Encontrar com o Pe. Luís?’ – perguntou o policial. ‘Sim, somos os seus confrades’. O policial mudou de tom conosco e se começou a falar muito bem do oratório, dos meninos e da ajuda dada aos pobres. Vejam? Concluiu Dom Hossu dirigindo-se a mim – o trabalho feito por vocês no oratório, para os meninos e para os pobres está tornado simpática e estimada toda a Igreja de Oradea”[1].

         São fatos como estes que revelam o dinamismo do carisma orionita no dia a dia dos religiosos e leigos, na ação pessoal e na atividade institucional: tornar a Igreja amada e estimada a fim de que possa cumprir sua missão providencial de unir a Cristo. Com Dom Orione, devemos amar a Igreja concreta: divina e humana, Papa, Bispo, párocos e paróquia, mosteiros e comunidades religiosas, obras de caridade e escolas, doutrina, liturgia e moral. É esta a Igreja, que o Concílio Vaticano II definiu: “sacramento universal de salvação” (LG, 48).

 

No Brasil e no Uruguai, a caridade abre as portas da Igreja

         Outro insigne pastor da Igreja, o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, alguns anos atrás escolheu o nosso Pequeno Cotolengo como destinatário da oferta da Campanha da Fraternidade, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Definiu aquela grande obra de caridade “a porta aberta da Igreja católica na cidade” porque ela criou simpatia e tornou a Igreja e os seus pastores mais próximos do povo[2]. Consideração semelhante escutei, em março passado, de Dom Anselmo Pecorari, Núncio Apostólico no Uruguai. Encorajando a caminhada do nosso Pequeno Cotolengo orionita de Montevidéu, disse-me: “O Pequeno Cotolengo é conhecido a apreciado em todo o Uruguai. É um bom crédito para a Igreja católica na nossa sociedade laica.

Queridos amigos, amemos a Igreja!

            Quando Dom Orione dizia “Filhos da Divina Providência, nós devemos fazer palpitar milhares e milhares de corações em torno do coração do Papa”, “especialmente os pequenos e a classe dos humildes trabalhadores, os pobres, os aflitos, que são os prediletos de Cristo”, não expressava somente um sentimento afetuoso. Ele nos transmitia o seu carisma,que é paixão, estilo e apostolado. É “a razão e a forma de ser de nós orionitas na Igreja.   

 

Autor:Don Flavio Peloso (Texto extraído da revista Don Orione Oggi, n.07 – julho e agosto de 2011).

Tradução: Cl. Geovani dos Santos Pereira

Notas: Pe. Renato Scano


 

Encontre estes e outros textos orionitas na Revista Dom Orione 2011
 
 
 


[1] O Pe. Luiz Lazzarin, citado no texto, é o mesmo que depois de ser missionário na Romênia veio ser missionário no Brasil e faleceu em Belo Horizonte.

[2]O card. Arns participou de uma reunião com grupos da sociedade que acusavam a Igreja a Igreja de estar sempre aliada dos poderosos, citou como prova do contrário a obra do Pequeno Cotolengo de Cotia – SP e convidou os acusadores a visitar e conhecer o Cotolengo e o atendimento aos pobres e portadores de deficiências. O próprio Cardeal nos telefonou naquele dia, contando que apresentara o Cotolengo como obra da Igreja de São Paulo.

 


 

 

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