Conhece-te a ti mesmo!

Conhece-te a ti mesmo!

 

 “A magnífica arte de viver por meio do que realmente somos e fazemos”

A nossa vida é tecida de relacionamentos. Construímos laços com pessoas o tempo todo, até mesmo sem perceber. Nesses laços se revelam a magnífica arte de viver por meio do que realmente somos e fazemos para alguém. Infelizmente, às vezes não paramos para pensar na intensidade de nossas relações. Um gesto, por exemplo, pode ter uma força extremamente simbólica em quem o recebe, mas para quem doa pode apenas soar como mais uma atitude natural. Não conseguimos medir onde se encerra o nosso olhar sobre o outro, a nossa palavra, o nosso abraço, o beijo, o nosso aperto de mão… o nosso aproximar.

Apenas sabemos que realizamos estas ações. Agora, adentrar no significado profundo que cada uma delas possui, exige calma. A pressa nos dias atuais nos faz refém do ‘desconhecimento’. Acabamos por não conhecer a intensidade do que fazemos por que o tempo exige gestos automáticos. Mas o tempo que nos exige pressa talvez não seja o grande vilão da história. Quem sabe o automatismo esteja em nós mesmos, quando pensamos que o que fazemos não tem a repercussão que imaginamos. Por isso, cada vez mais eu me convenço que necessitamos, diariamente, exercitar a nossa sensibilidade sobre o outro e sobre nós. Sermos sensíveis diante do significado que o outro possui para nós e sensíveis perante quem somos e podemos ser para o outro. Por que isso? Porque na medida em que silenciamos e temos calma para ‘perceber-nos’ vamos entender que viver também é a arte de ‘sentir’ o outro.

Assim, cuidamos mais para que nossas ações possuam a profundidade que elas merecem. Já dizia um escrito num antigo templo da Grécia, dito este que encantou o sábio Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Esta frase é um convite fascinante à viagem para o interior de cada um de nós. No que diz respeito as nossas relações é preciso conhecer que o feito por mim tem valores incalculáveis. Por vezes, não paramos para nos ‘conhecer’. Não estacionamos um instante para analisar porque agimos assim, porque não fizemos isto, porque pensamos aquilo… porque …porque e porque! Para tanto, é o mesmo filósofo Sócrates que afirma neste sentido: “uma vida não questionada não merece ser vivida.”. Eu preciso todos os dias me analisar e ‘me procurar’ senão corro o risco de ‘me perder’ e passar a vida inteira sem saber quem realmente eu sou e porque tomo determinadas atitudes.

Buscar se conhecer dá trabalho, é exigente, nos ocupa muito… Quem sabe sejam estes os motivos porque não o fazemos com tanta frequência ou porque até nem fazemos! Tenho visto pessoas que parecem não ter a ocupação de se conhecer. Vivem de ‘achismos’. Simplesmente ‘acham’ que devem agir assim e agem. Parecem não estar preocupadas com o envolvimento que suas ações podem ter, suas consequências. Às vezes penso que o problema esteja na não instrução intelectual, na ignorância de algumas informações da ciência, na falta de estudo… que pode me impedir de perceber certas coisas à luz das teorias.

Contudo, esta suposição cai por terra ao ver pessoas sem sabedoria intelectual entendendo que precisam se questionar para viverem melhor. São movidas pela sabedoria da vida. Que possamos reconhecer a importância de nos conhecer. Que na medida em que tomamos posse do que somos podemos ser com maior qualidade para o outro e para nós mesmos. Somos uma construção. Temos uma história! Somos um passado que influencia o nosso presente e um presente que nos liga ao nosso futuro. Neste processo de harmonizar os tempos o que nos cabe é a motivação de querer fazê-lo.

Sem. Evandro Carvalho

Diocese de Uruguaiana-RS

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