31 jan Se sou padre, devo a Dom Bosco
A história de São Luís Orione não pode ser compreendida sem passar pelo pátio de Valdocco e pelo encontro decisivo com São João Bosco, onde entre jogos, estudo, oração e caridade, nasceu uma amizade espiritual que marcou para sempre a vocação, o coração e a missão daquele jovem camponês que sonhava ser sacerdote e amar a Deus nos pobres.
Após uma breve e dolorosa experiência entre os franciscanos, interrompida por uma grave enfermidade que quase o levou à morte, Luís retorna à casa paterna e ao trabalho duro como calceteiro. Chorou muito ao deixar o convento, mas aquele aparente fracasso era, na verdade, o caminho que Deus utilizava para conduzi-lo a Dom Bosco, onde por indicação do padre Milanesi, foi confiado a Dom Bosco, que o acolheu no Oratório de Valdocco em 4 de outubro de 1886, festa de São Francisco de Assis. Mais tarde, o próprio Orione diria com gratidão: “Ali se abriram meus olhos e minha mente. Compreendi a grande graça que havia recebido, porque aquela doença me tinha levado a Dom Bosco.”
Os anos vividos em Valdocco (1886–1889) foram, segundo Dom Orione, “os mais belos” de sua vida, pois ali reinavam a alegria, a serenidade do espírito e um clima profundamente evangélico. Mesmo já idoso e doente, Dom Bosco ainda atendia alguns poucos jovens em confissão e Luís, um dos mais novos, obteve essa graça singular.
Após ouvi-lo em confissão, Dom Bosco lhe disse palavras que se tornariam um verdadeiro testamento espiritual: “Nós seremos sempre amigos.”
No Oratório, Dom Orione conviveu com figuras centrais da primeira geração salesiana, Dom Rua, seu diretor espiritual; Dom Trione, catequista querido; Dom Berto; Dom Francesia; Dom Cagliero, que inflamava os jovens com o ardor missionário; e tantos outros. E ele foi também cooperador salesiano durante o tempo de seminário.
Ali assimilou valores que marcaram profundamente sua espiritualidade, o amor à Igreja e ao Papa, a devoção à Virgem Maria, a confiança absoluta na Divina Providência, a centralidade dos sacramentos e, sobretudo, o zelo pelas almas, especialmente dos jovens pobres e abandonados. O lema salesiano “Da mihi animas, caetera tolle” tornou-se também um programa de vida para Dom Orione.
Por isso, não hesitou em afirmar com humildade e gratidão:
“Se sou sacerdote, depois da graça de Deus e da intercessão de Maria Santíssima, devo-o a Dom Bosco.”
Quando Dom Bosco faleceu, em 31 de janeiro de 1888, o jovem Orione estava em Valdocco. A multidão que acorria para venerar o corpo do santo era imensa. Para ajudar os fiéis, Luís teve a ideia de cortar pequenos pedaços de pão e tocá-los no corpo de Dom Bosco para distribuí-los como relíquias e na pressa, cortou gravemente o dedo indicador da mão direita (o mesmo que, no futuro, usaria para celebrar a Eucaristia) e então, tomado pelo medo de não poder ser ordenado sacerdote, correu até o corpo de Dom Bosco e tocou nele o dedo ferido. No mesmo instante, a ferida se fechou e o dedo ficou perfeitamente curado e a cicatriz permaneceu como sinal visível do primeiro milagre de Dom Bosco após a morte, recebido por aquele que ele chamara de amigo.
Da convivência com o santo dos jovens, herdou a audácia caritativa, o coração sem fronteiras, o amor pela Igreja e o desejo de combater o mal com as armas do bem, usando todos os meios possíveis para salvar as almas, por isso, ao contemplarmos essa amizade santa, compreendemos melhor o coração de Dom Orione e a origem profunda do carisma orionita.
Uma amizade nascida no pátio de um oratório, selada no confessionário, confirmada por um milagre e eternizada na gratidão, Dom Bosco e Dom Orione:
“Seremos sempre amigos.”
Ave Maria e Avante!
Cl. Victor Manuel

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