NATAL SEM FRONTEIRAS ACENOS DE UMA LITURGIA ENCANTADORA – NATAL 2018

 

           

 

 

Noite de Natal. A Igreja cheia, muito cheia. Chegavam mais e mais fiéis. Até mesmo rostos pouco conhecidos vieram para rezar e homenagear o menininho da manjedoura. Falamos da Paróquia Nossa Senhora Achiropita, mas podíamos falar de qualquer outra paróquia, capela, convento ou centro comunitário.  A comunidade feliz vem contemplar um Deus tão grande e tão humilde que chega até nós feito gente. Por certo que é assim, pois somente pessoas grandiosas e nobres dão conta de serem humildes e valorosas. Deus veio habitar entre nós. Como dizia um santo dos tempos antigos, Leão Magno: “hodie natus est”, que podemos traduzir do velho latim emhoje é nascido”. Este tempo verbal é o  presente no particípio passado. Jesus que nasceu, nasce e continua nascendo. Não é um fato do passado, mas um momento presente. Por isso, que na hora do ofertório, um casal da comunidade entrou com uma criança, sentou-se diante da assembleia e a comunidade trouxe um presente para o menino que acabara de nascer. Ficou uma montanha de presentes diante da sagrada família”. Quase nem se via os personagens deste grande milagre. A comunidade foi avisada com antecedência: “tragam um brinquedo bem bonito e simples para o menino Jesus; nada de brinquedos sofisticados e caros que param de funcionar antes do final do dia”. Não tem novidade nisso, pois nas tradições de nosso povo, nas pequenas cidades e bairros, quando nascia uma criança, todas as outras mulheres visitam o recém-nascido e levam um presente. Era sabonete, toalha, talco, fraldas, pijamas e roupas.

Os fiéis da comunidade Achiropita trouxeram os presentes e colocaram diante do “presépio vivo”. No final da missa, um grupo de vicentinos de uma comunidade mais humilde da periferia veio com uma Kombi buscar os presentes. Você pode imaginar a alegria de Jesus lá no céu vendo as crianças de um bairro mais pobre recebendo os presentes na manhã do Natal? Alegria na terra, festa no céu.

Este é um dos gestos, entre tantos e tantos (Natal de Luz, amigo secreto, Natal Solidário, Campanha de ceias e almoços) que mostram como o Natal toca nosso espírito e nosso coração. Assim, vamos celebrar o Natal, como um facho de luz que vem do céu e ilumina nossos corações.

Por isso, a liturgia do tempo de Natal é tão bonita e tão ardorosa. Une-se a fé à emoção, para celebrar o nascimento do Filho de Deus. Desde o Advento, tudo se prepara para engrandecer a   lindíssima solenidade.

 

ADVENTO: SEMANAS PIEDOSAS

 

Toda a cidade fica enfeitada. O Natal está se aproximando. Os fiéis procuram viver o grande mistério do Natal com mais intensidade espiritual. Não se trata de contestar o impulso comercial de uma sociedade consumista e altamente voltada para as vendas e os lucros. Trata-se antes de viver o mistério da forma que acreditamos, pois os fiéis que participam das comunidades,  honram o próprio batismo e sua vida religiosa.

Por esta razão, todos nós cristãos somos convidados a embelezar nossa própria existência, para receber o Menino Deus em nosso coração. O Advento é o tempo de preparação espiritual para a chegada de Deus Menino  que vem nos encontrar e queremos preparar “as veredas do Senhor”. Advento é um tempo que a Igreja nos oferece para que o Natal nos surpreenda sem termos confeccionado nossa manjedoura espiritual.

São três os momentos deste  período e devemos vivê-los com intensidade e fé.

Primeiramente, a grande preparação, que  acontece em 4 finais de semana. O tempo do Advento é contado a partir do domingo anterior ao Natal. Este domingo é considerado o 4º domingo do Advento. Contam-se os três anteriores e inicia-se o tempo do Advento. Neste período, todas as leituras se referem à preparação, através dos grandes profetas messiânicos do Antigo Testamento, entre eles, Isaías, Joel e mesmo o Rei Davi. Estes personagens viveram experiências que anunciavam a vinda do Messias. No Novo Testamento, os grandes protagonistas são João Batista, Zacarias e Izabel e, sobretudo Maria e José, que acolhem o anúncio divino e participam do seu projeto de salvação da humanidade.

As promessas de João Batista são fundamentais, pois  são clamores para que o povo se prepare pela conversão e pela transformação de suas vidas. A palavra de ordem é “conversão”, que é um apelo para que ninguém seja tomado pela surpresa, como que “assaltados em pleno dia”.  No Advento, o clamor é fundamental, para que “acordemos de nosso sono e acolhemos a luz divina que desponta no horizonte”.

Seguimos com a grande celebração da Vigília de Natal, com o anúncio dos pastores; a celebração da Aurora, com a narrativa do nascimento e a celebração do Natal, pela manha, onde o mistério é interpretado pela visão elevadíssima do Prólogo de São João: “no princípio era o Logos (a essência divina) e o Logos estava com Deus e era o próprio Deus e veio para nos salvar”.

As cenas da epifania são marcadas pelos acontecimentos pós-Natal, sobretudo porque valorizam as visitas ao Menino Jesus na manjedoura, sua revelação aos pastores e sua consagração no templo, onde Simeão e Ana dão a identidade da “Luz do Alto que veio nos visitar”.

Na verdade, estas celebrações revelam  o Mistério de Cristo e de Maria. Os acontecimentos integram a encarnação divina, obra do Espírito Santo e a unidade entre a humanidade e o próprio Deus.

                   

UMA HISTÓRIA BONITA

Celebrar o Advento e o Natal é uma herança extraordinária que acolhemos com grande gratidão aos nossos antepassados. Foram místicos, santos, teólogos e papas que escreveram textos maravilhosos  e prepararam as orações, leituras e rituais. Desde os primórdios, as comunidades cristãs celebravam este grande acontecimento, relendo as narrativas anteriores ao nascimento de Jesus e os fatos que se sucederam. As duas celebrações não eram tão distintas e os rituais contemplavam os preparativos e depois o evento do Natal. Mais propriamente, no Ocidente, a prioridade era dada ao Natal e à Epifania, que eram os fatos sucessivos ao nascimento, particularmente o batismo no templo e os reis magos.  No Oriente, há maior concentração nos eventos que antecediam o nascimento, sobretudo o anúncio do Anjo, a visita a Isabel e a visão de José.  Além disso, nas Igrejas do Oriente, a festa da Epifania era a mais valorizada.

Os passos desta história são muito bonitos. No século IV, o calendário romano já confirma a festa de Natal. A festa se encontra tanto no calendário civil, quanto religioso. Também nas Igrejas da África esta festa é vivida com grande intensidade.

Bem conhecida é a inculturação da festa, que era a Festa do Sol, considerado uma divindade entre os pagãos. Depois do inverno mais intenso, os dias começam a crescer e aumentar suas horas de claridade. É a vitória do sol que invade mais e mais a terra. Cristo é este sol, que ilumina o mundo e vence suas trevas.  Cristo é o sol invicto que surge vitorioso, como o sol que vence o inverno e traz luz para o mundo.  Esta simbologia é fundamental para compreender a importância do nascimento de Jesus entre os cristãos primitivos.

O Advento prepara os cristãos para receber o sol, como se as cortinas do templo se abrissem e entrasse o rei da glória, Deus feito menino, que armou sua tenda em nosso mundo e tornou-se um companheiro da humanidade.

 

 

LITURGIA DO ADVENTO NOS TEMPOS ANTIGOS

 

O tempo do Advento possui duas características, quer sejam um tempo de preparação para as festividades de Natal, que eleva o mistério da habitação divina no seio da humanidade ou ainda um tempo no qual, inspirada neste lembrança, a comunidade cristã volta seu olhar e seu espírito para a manifestação escatológica de Cristo. É assim, este período litúrgico, a soma da conversão histórica e a busca da herança eterna, que vive na simbiose da prática litúrgica deste período, unindo por estas duas dimensões o convite à conversão e a alegria da presença de Deus em nossas vidas. É um tempo de alegria e esperança, de conversão e de caminhada ao encontro do Senhor que “está para chegar”.

 

Desde os seus primórdios, o Advento manifestara sempre um caráter ascético, que se realizava em seis semanas, à imitação da quaresma. Mais tarde, com São Gregório de Tours, no século VI, este tempo é vivido com caráter penitencial, com jejum e abstinência. A cor litúrgica assumida nas celebrações passa a ser o roxo e origina a tradicional “quaresma de São Martinho”, pois após a festa deste  santo, pratica-se o jejum até o Natal. Serve a este desenvolvimento litúrgico o fato que celebram-se batizados também na Epifania e isso leva à mesma prática penitencial e ascética da quaresma, que prepara a comunidade para os batismos da noite pascal.

Nos tempos posteriores da comunidade primitiva, o Advento foi definido como preparatório ao nascimento de Jesus e manteve a tradição das quatro semanas, guardando fortemente seu caráter penitencial e de recolhimento. Destaca-se também a dimensão escatológica, quer dizer, a vinda definitiva do Senhor.

Desta evolução histórica, temos a tríplice dimensão do Advento, quer seja a histórica, que comemora a comunhão divina com a humanidade; a litúrgica, que valoriza a presença de Cristo na vida da Igreja, especialmente na eucarística e, a escatológica, que desvela o senhorio de Jesus no mundo através de seu Reino até a consumação dos tempos.

Ao longo da história, a partir do sentimento devocional popular, a liturgia foi enriquecendo o tempo de preparação para a chegada de Deus entre nós. Lembrando-nos da filosofia clássica que colocava como absurdo a presença de Deus na história, descobrindo o quanto é grande este mistério, que pela ação do próprio Deus se realiza na pessoa de seu Filho Jesus, que em Nazaré se manifestou o Cristo, filho de Deus.

 

NO CORAÇÃO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

Semelhante ao tríduo pascal, a solenidade da Encarnação do Verbo é celebrada em três missas, que abrangem o grande mistério. De fato, a tradição litúrgica da Igreja apresenta três missas para a celebração do Natal, como citamos: a “missa do galo”  (nome popular da missa in nocte), a “missa da aurora” (missa in aurora) e a “missa do dia” (missa in die). Estas três missas simbolizam a  “tríplice geração” do Senhor, que são

1º – Geração do Filho em igual substância divina;

2º – Fecundidade materna pela ação do Espírito Santo;

3º – Geração espiritual de Deus na vida humana. Deus conosco, Emanuel.

Estas três gerações, que revelam o coração do mistério da encarnação, são contempladas nas três celebrações inscritas no Missal Romano. Muitas comunidades as celebram com muito louvor, para vivenciar a encarnação divina durante a noite vespertina e o dia do Natal.

 

A “missa vespertina” narra o nascimento de Jesus em Belém (Lc 2, 1-14). Esta narrativa  termina com o canto dos anjos. O verso “Glória in excelsis Deo” (glória a Deus nas alturas) tem uma solenidade fulgurante e nos coloca dentro do mistério, como se o coro dos anjos invadisse a assembleia. De fato, este hino dá um tom muito solene e elevado para a celebração, predispondo os  fiéis presentes para o núcleo do evento.

O texto de Isaías (Is 9, 1-3. 5-6) anuncia a esperança messiânica, proclamada nesta data festiva. Vivemos uma grande alegria com a narrativa do cumprimento da profecia, a qual diz que o nascimento do menino Deus é a “manifestação da luz para o povo que caminhava nas trevas”. Jesus personifica esta “luz”, pois Ele é o “Conselheiro admirável, Deus forte e o  Príncipe da Paz”.

Na leitura do Novo Testamento, a carta a Tito ensina que o cristão é convidado a viver  em fidelidade a  Deus (Tt 2, 11 – 14). A espiritualidade desta celebração, sobretudo no Prefácio de Natal, professamos que o mistério da encarnação nos faz eternos em Deus, pois ele assume nossa fraqueza e nos fortalece. Unindo reverência e gratidão, a comunidade se inclina devotamente contemplar a manjedoura onde Deus fez sua morada no mundo.

 

A “missa da aurora” recorda e anuncia a visita dos pastores ao menino Deus. A postura daqueles homens simples é de reverência e alegria. Esta evidente mensagem é que Deus se revela aos mais humildes.

Nesta celebração que acontece na aurora do dia de Natal, aparece mais evidente o ‘simbolismo da luz’. Os textos se referem ao mistério da “nova luz que surgiu para o mundo”. É a esperança que brota no coração da humanidade: “a luz se levanta para os justos e para os corações retos a alegria”.

Na “missa do dia de Natal”, a espiritualidade é extraída de um dos textos mais esplêndidos da Sagrada Escritura, que é o Prólogo de São João (Jo 1, 1-18). Encontramos a mística mais profunda deste mistério. O “logos”, que é a essência do próprio Deus” vem habitar na história. O “logos” é o Filho de Deus, vivo e presente desde o princípio e veio habitar conosco, cumprindo as profecias antigas. São magistrais as palavras: “no princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. O Verbo, o Emanuel-Deus encarnado é apresentado como a luz do mundo, que ilumina todo aquele que busca seu rosto. Este momento é “kairológico”, quer dizer, a hora de Deus, o momento de sua encarnação para libertar a humanidade do pecado e da morte. Natal é a “hora de Deus” no seio da humanidade, para renovar o mundo. Cristo é o “mensageiro da paz e da felicidade, que traz a salvação”(Is 52, 7 – 10). Ele é “resplendor da glória de Deus e expressão do seu Ser, que vem para libertar a humanidade dos males e sustentar o universo” (Hb 1, 1-6).

O Evangelho de Mateus (1, 1-25) nos traz a genealogia de Jesus, mostrando a promessa messiânica a partir do Antigo Testamento. Esta celebração exalta ainda a participação de Maria no desvelar do mistério da encarnação e une, através dela, a comunidade humana à comunidade celeste.

Todas as leituras e as orações revelam que Deus vive em nós e o universo é sua morada para sempre.

 

 

UM MENINO NASCEU!

 

O Natal é a festa magna da cristandade. Todos os cristãos se exaltam de alegria. São elevadíssimos os hinos que cantamos naquela noite sagrada. São majestosos os poemas que se declamam para o Menino. Um menino que nasce é uma grande alegria. Imaginemos a alegria quando este menino é a realização de uma promessa secular. Por isto, toda liturgia se veste de grande solenidade. Desde as liturgias mais clássicas, com seus hinos seculares e seus rituais milenares até as manifestações populares, com encenações, cantorias e símbolos que expressam a exaltação da comunidade que celebra.

Nasceu um menino, que grande festa. Por isso, os ares se enchem de canções, as estradas se vestem de enfeites e os corações se revestem de felicidade. É a graça de um menino que veio nos trazer grande alegria e esperança sem fim.

Os acenos litúrgicos populares celebram esta solenidade de forma magnífica, nos folclores religiosos populares ou nas celebrações, cheias de símbolos e de criatividade. As danças, as encenações, os cantos emotivos, os presépios públicos e as celebrações são, como vimos, a expressão da grandeza deste mistério na religiosidade cristã.

A espiritualidade desta celebração é a espiritualidade da “encarnação do Verbo Divino”. Como rezamos no “ângelus”: “o Verbo de Deus se fez “in carnis” e veio habitar em nosso meio, entre nós”. Em nossa natureza, nossa realidade humana, assumida verdadeiramente, Jesus se faz um ser humano real e histórico. Ele é gente como a gente. Assim, a encarnação do Verbo nos introduz na natureza divina. A paternidade divina integra a fraternidade universal, onde todas as raças, credos e classes se irmanam, superando toda possibilidade de divisões e preconceitos. A vida humana respira dos ideais da vida divina e Deus e a humanidade partilham a mesma história e de nossa realidade.

Mais que um aniversário é a renovação do nascimento do Filho de Deus.

Na festa litúrgica de cada Natal que se celebra, o nascimento do Emanuel reapresenta-se como nova luz, alegria dos povos. Rememora a nossa origem e nos projeta para o futuro, dando-nos força para construirmos o nosso presente. Natal é todo dia, pois Deus nasce e renasce superando a noção de tempo e de história. É a eternidade no tempo e o tempo que se faz eterno.

 

 

Pe. Antônio S. Bogaz – Prof. João Henrique Hansen

Autores de  “A praça da dádiva. La fonte:2016

 

  

Box 1

NATAL: A SEMENTE DO VERBO

 

Um grande autor cristão, Justino de Roma, explica que Deus é um “ser absoluto”, inefável e transcendente, portanto  inominável.  Este Deus absoluto se revela a partir da sua ação criadora. Ele se revela como “pai” de toda criação.  Pela criação e por sua ação na história, os profetas antigos, configuram seus traços divinos. Eles revelaram o rosto de Deus, em traços importantes, mas limitados.

Mais tarde, na “plenitude dos tempos”, Deus se comunica com o universo através do seu LOGOS, que é seu próprio Filho encarnado. O “logos divino”  é a melhor expressão para designar a ação divina da encarnação.  Revelado num ser humano, nascido de uma mulher, o Logos presente na história se identifica como Filho de Deus.

De forma analógica, entendemos que a semente da essência divina, denominada semente do Verbo (Logos spermatikós) é fecundado no mundo. Por meio deste “verbo divino”, Deus vem resgatar suas criaturas do poder do maligno. Ele é o verdadeiro Filho de Deus, capaz de resgatar o ser humano das forças do mal.

O Logos divino, encarnado em Jesus Cristo, estava presente no princípio da criação. Assim, Ele reconstitui o Reino de Deus no mundo, pela conversão dos homens.  A graça divina se faz presente no mundo para resgatar o mundo do pecado.

 

Box 2

MARIA, A NOVA EVA

A teologia da recapitulação precede a teologia do paralelismo entre Eva, porta da entrada do pecado no mundo e Maria, que se torna o portal da redenção da humanidade. Simbolicamente “Eva” recebeu o convite do Mal e deixou-se vencer por esta tentação. Maria, contrariamente, recebeu o convite divino, através do anjo. Sua aceitação do projeto divino abriu-nos as portas da salvação.

Estas duas mulheres se tornam como que “modelos” da humanidade: a tentação vitoriosa do pecado e a acolhida do Logos divino na história humana.  A tradição serve-se desta relação: por uma antiga mulher, houve o mal; por uma nova mulher, houve a remissão. Da mesma forma Jesus refaz a história da humanidade, desordenada pelo pecado de Adão.  Estes espíritos maus são como anjos, portadores da mensagem do bem e demônios, representação da tentação do espírito do mal.

 

(do livro: Patrística, caminhos da tradição cristã. Paulus. São Paulo: 2014)

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