Carta de comunhão

 

A Carta de Comunhão do Movimento Laical Orionita é o fruto do trabalho de cinco anos, feito pelas coordenações locais e nacionais. Foi concluída e aprovada durante a reunião dos representantes do MLO das diversas nações, realizada em Claypole (Buenos Aires – Argentina), de 7 a 13 de outubro de 2002.
 
"A experiência secular da Igreja nos ensina que a íntima adesão espiritual à pessoa do Fundador e a fidelidade à sua missão, uma fidelidade sempre atenta aos sinais dos tempos, são fontes de vida abundante para a própria fundação e para todo o Povo de Deus. (…) Vocês foram chamados a participar da graça recebida de seu Fundador e a colocá-la à disposição de toda a Igreja"
João Paulo II
 
 
MENSAGEM DE JOÃO PAULO II AO MOVIMENTO LAICAL ORIONITA
 
Ao Reverendíssimo
Dom Roberto Simionato
Diretor Geral dos Filhos
da Divina Providência
 
 
   1. "Queremos ver Jesus" (JO 12,21). Com estas palavras um grupo de gregos, atraídos pelo fascínio do Divino Mestre, dirigiam-se um dia a alguns discípulos, exprimindo o desejo de encontrar o Senhor. Ao longo dos séculos tantas outras pessoas em todos os lugares da terra, continuaram a manifestar este mesmo desejo traindo homens e mulheres marcados por uma particular relação com a pessoa de Jesus.
Entre as testemunhas de Cristo do nosso século ocupa um lugar privilegiado o Beato Luis Orione, Fundador desta Família Religiosa. O seu fascínio espiritual contagiou tanta gente durante a sua vida e continua ainda agora a suscitar admiração e interesse. Aconteceu assim que entre os leigos próximos à pequena Obra da Divina Providência, veio afirmando-se o desejo de conhecer em profundidade o beato Fundador, para seguir mais fielmente seus passos.
Deste modo nasceu o Movimento Laical Orionita, com o objetivo de oferecer aos diferentes componentes dos grupos laicais surgidos ao redor das instituições da Obra a possibilidade de viver o seguimento de Cristo, partilhando com os Filhos da Divina Providência e com as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade o carisma orionino.
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   2. Após os primeiros anos de existência do Movimento, constatou-se a oportunidade de fazer uma avaliação do caminho percorrido em vista de seus ulteriores desenvolvimentos. Para tal fim foi promovido este Congresso Internacional, que tem como tema o brado paulino: "Instaurare omnia in Christo", escolhido pelo Beato para a Família Religiosa por ele fundada. Pretende-se assim, oferecer aos leigos a oportunidade de aprofundar o conhecimento do carisma orionino, para elaborar uma peculiar "carta de comunhão" e projetar posteriores avanços de compromisso e de partilhar a serviço da nova evangelização em vista do Grande Jubileu do Ano 2000.
   Ao externar a minha saudação aos participantes do encontro, não posso deixar de recordar-lhes as apaixonadas palavras do Beato Orione: "Instaurare omnia in Christo! Renovaremos a nós e todo mundo em Cristo, quando vivermos Jesus Cristo, quando formos realmente transformados em Jesus Cristo".
Era portanto, claro o convencimento do Fundador que a alma de toda autêntica renovação é a novidade de Cristo, que se faz presente em cada pessoa, nas famílias, nas estruturas civis e nas relações entre os povos. Seu afã era fazer Cristo o coração do mundo e servir Cristo em cada pessoa humana, especialmente nos pobres. Para dar conveniente sentido a esta sua intuição, ele entendia envolver de forma mais amplas os leigos na atividade apostólica, chamando-os a sintonizar-se com seu coração sem fronteiras, dilatado pela caridade de Cristo crucificado. Escrevia, de fato a alguns amigos da Obra em 1935 de Buenos Aires: "Todos sentireis comigo, certo, vivíssimo o desejo de cooperar, por estar em vós, aquela renovação de vida cristã ao"instaurare omnia in Christo" – do qual a pessoa, a família e as sociedades possam atender à restauração social. Tenhais a coragem do bem!" ( Lettere 11, 291).
   Conscientes deste projeto já presente no coração do Beato Fundador, os responsáveis pela Família Orionita há alguns anos têm promovido o Movimento Laical, que a partir deste Congresso pretende ulteriormente definir e reforçar, com o fim de cooperar validamente, como ele amava repetir, em "fazer o bem sempre, o bem a todos, o mal nunca a ninguém".
   3. Sinto-me feliz em aproveitar desta significativa circunstância para encorajá-lo, Venerado Irmão no sacerdócio, e os Religiosos e as Religiosas orionitas a fazer-se "guias espertos de vida espiritual, a cultivar nos leigos <<o talento mais precioso: o espírito>>!" (Vita Consecrata, 55). E convido os leigos que escolheram partilhar o carisma orionino vivendo no mundo, a zelarem e oferecerem generosamente à Pequena Obra da Divina Providência "a preciosa contribuição" da sua secularidade e do seu serviço específico. O Movimento Laical Orionita favorecerá assim a irradiação espiritual da vossa Família religiosa além das fronteiras do próprio Instituto, aprofundando os traços carismáticos para uma sempre mais eficaz atuação da sua missão específica na Igreja e no mundo".
   4. Um pensamento particular dirijo aos membros do Instituto Secular Orionita, ao foi recentemente concedida a aprovação canônica como Instituto de vida consagrada. Bem sabendo que neste dias realizam a sua Assembléia Geral para a eleição das próprias autoridades, os exorto a viver com fidelidade e alegria a própria consagração no mundo e com os meios do mundo. Saibamos tornar-nos agentes de novas sínteses entre o máximo possível de participação nas alegrias e nas esperanças, nas angústias e nas dores dos irmãos, para direcioná-los rumo ao projeto de salvação integral manifestado pelo Pai, em Cristo. A sua laicidade consagrada os ajude a viver com coerência o Evangelho, no constante compromisso de concretizar, sobre as pegadas do testemunho e dos ensinamentos do Beato Orione, o programa paulino "Instaurare omnia in Christo".
   Invoco, para isso, a proteção de Maria, "Mãe e celeste Fundadora" da Pequena Obra da Divina Providência, e a intercessão do Beato Luiz Orione, enquanto, em penhor dos favores celestiais concedo-lhe e aos membros do Movimento Laical e do Instituto Secular, como também a todos os que fazem parte dos vários títulos da Família Orionita, uma especial Bênção Apostólica.
João Paulo II
Do Vaticano, 7 Outubro 1997.
 
 
NOTA HISTÓRICA
  •  O envolvimento dos leigos e leigas no espírito e na vida de Dom Orione e da sua Pequena Obra da Divina Providência, hoje tornado Movimento Laical Orionita, tem raízes históricas seguras e responde a uma precisa sensibilidade e vontade do Fundador.
  • É preciso recordar como o jovem clérigo Orione, em 1890, já estava inserido em duas associações laicais, a Conferência de S. Vicente e a Sociedade de Mútuo Socorro "São Marciano".
  • O seu primeiro coleginho de "São Bernardino" (1839) foi fundado como "Internato Paterno", por iniciativa de uma associação de "Pais", e foi gerido por Dom Orione com a ajuda de leigos e leigas solícitos.
  • Ainda nos inícios da fundação da Pequena Obra, em 1899, em Turim, Dom Orione lançou o projeto da primeira Associação feminina: "Ao redor dos nossos Institutos surjam as Damas da Divina Providência, uma associação grande  onde todas as almas se encontrem unidas no campo da caridade e num mesmo pensamento de abnegação e de sacrifício".
  • É surpreendente saber que Dom Orione, já nas Constituições manuscritas de 1904, previu uma forma de consagração também para os leigos "que desejam com todo ânimo seguir a perfeição, e estariam dispostos a fazer os votos, se fosse-lhes concedido".Apenas a Igreja, em 1947, reconheceu canonicamente os Institutos Seculares, foi dever e alegria dar seguimento àquele desejo do Pai com o encaminhamento daquele que se tornara o Instituto Secular Orionita.
  • Dom Orione tinha uma visão dos Ex-alunos "como apóstolos"; muitos desses, inseridos na vida civil, continuavam a ser, como leigos, parte viva da Família Orionita. Através da correspondência pessoal e da constituição em Associação (1934) cultivou o seu permanente envolvimento na vida e nos ideais da Pequena Obra.
  • É conhecida a capacidade do Fundador no zelo pelos Amigos, nos quais via verdadeiros discípulos e colaboradores. Na familiaridade da relação, guiava, formava e valorizava-os nas obras de bem, desenvolvendo neles uma consciência apostólica. Envolvia-os diretamente, às vezes também estavelmente, nas suas atividades de Congregação e os encorajava naquelas próprias do seu estado e profissão. Constituíram-se em Associação em 1940.
  • A estas iniciativas do Fundador com os leigos e leigas, seguiram-se após sua morte (12 de março 1940), aquelas, numerosíssimas, dos seus discípulos, favorecidas também pela progressiva mudança das condições sociais e do sentir eclesial.
  • O caminho do Movimento Laical Orionita, como é atualmente entendido, isto é, unitário, diversificado mas coordenado, organizado, sujeito autônomo identificado pelo carisma de Dom Orione, em comunhão com toda a Pequena Obra da Divina Providência, tem uma história recente.
  • O início é claramente reconhecível na Moção 11 do Capítulo Geral dos Filhos da Divina Providência (1922) e no VIII Capítulo Geral das Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade (1933): "Para Promover entre todos os Confrades e nos diversos setores das atividades da Congregação, a atuação das diretrizes da Igreja sobre a vocação e o papel dos leigos (Cfr. Apostolicam actuositatem, Christifideles laici e outros) pede-se que o Governo coordene a projeção das iniciativas aptas a atingir os objetivos de promoção da vocação e do papel dos leigos".
  • Após dois anos dedicados ao conhecimento da situação e ao estudo da realidade laical que vive na órbita de Dom Orione nas diversas nações, o Superior geral enviou a todos os Filhos da Divina Providência uma "Carta programática" (18.12.1995) para encaminhar o Movimento Laical Orionita; a essa fez rápido seguimento a carta análoga da Superiora geral (23.12.1995) que empenhava também as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade no  mesmo caminho.
  • Com um envolvimento harmonioso de religiosos, religiosas, leigos e leigas colocou-se em andamento as coordenações locais, provinciais e geral. Em Rocca di Papa (9-12 outubro 1997), realizou-se o primeiro Congresso Internacional do MLO que deu dinamismo e criatividade ao Movimento. Tal evento, confortado por uma particular Mensagem do Papa, pode ser considerado o ato de nascimento oficial do Movimento. O 11º Capítulo Geral dos Filhos da Divina Providência (1988) deu um ulterior impulso ao crescimento do MLO.
  • Terminada a fase de primeira constituição do MLO, percebeu-se logo a exigência de um documento com linhas de formação e organização que fosse de referência segura para o caminho do MLO, diferente nos seus componentes por nacionalidade, cultura, categoria, tipo de associação e de pertença. Habituou-se chamar este documento "carta de comunhão" e por três anos as coordenações locais, provinciais se confrontaram para exprimir neste texto as motivações, os valores e as estruturas organizativas que favoreceriam o cominho futuro do MLO. Em Ariccia, de 28 de junho a 1 de julho de 2001, durante uma reunião dos representantes do MLO das diversas nações, o texto tomou a sua forma definitiva que, com alguns retoques, foi aprovada durante o segundo Congresso Internacional do MLO (Claypole, 7-13 outubro 2002).

 

 

 
CARTA DE COMUNHÃO DO MOVIMENTO LAICAL ORIONITA
 
I. IDENTIDADE
 
 
 
<<Felipe disse a Jesus:
"Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta para nós".
Jesus respondeu:
"Faz tanto tempo que
estou no meio de vocês
e ainda não me conhece, Felipe?
Quem me viu o Pai">>
(Jo 14, 8-9)
 
 
 
1. Nome e Identidade
 
O Movimento Laical Orionita (MLO) é a agregação de leigos e leigas em caminho de comunhão eclesial que, associados ou não, vivem o  carisma de Dom Orione nas suas particularidade situações e estados de vida e partilham com a Família Orionita a missão de "Instaurare omnia in Christo" (Ef 1,10).
 
 
2. Membros
 
São membros do MLO todos aqueles leigos e leigas pertencentes ou não a associações orionitas que, radicados no Evangelho, desejam viver e transmitem o carisma de Dom Orione no mundo, em comunhão com a Família orionita, com empenho de crescer no exercício da "caridade que tudo restaura, tudo edifica, tudo unifica em Cristo e na sua Igreja". (Scritti di Don Orione (citato Scritti) 61, 153.
 
 
3. Fim Específico
 
Em sintonia com o projeto de Dom Orione de "renovar e unificar em Jesus Cristo o homem e a sociedade, levando à Igreja e ao Papa o coração dos pequenos, dos pobres e das classes operárias", (Cfr. Scritti 8, 209; 59, 21; 52, 9; AA.VV. Nos Passos de Dom Orione. Subsídio para a formação ao carisma, Ed. Loyola, São Paulo 1997, p. 141 e 142.) o fim específico do MLO é favorecer a irradiação espiritual da Família orionita além das fronteiras visíveis da Pequena Obra aprofundando os traços carismáticos para uma sempre mais eficaz atuação da sua missão específica na Igreja  e no mundo (Mensagem de João Paulo II ao MLO, 7 outubro 1997, n.3.) Tal fim realiza-se em particular com o acompanhamento, a animação e a formação ao carisma dos membros, respeitando a história e as formas de participação de cada um.
 
 
4. As Origens
 
   O Movimento tem suas origens em Dom Orione, o qual, durante toda a sua vida, envolveu os leigos e leigas no seu espírito e na sua missão para "semear e arar Cristo na sociedade".
   O caminho do MLO, como atualmente é entendido, tem uma história recente cujas etapas são assinaladas pelas seguintes datas:
  1. 1992-1993: no X Capítulo Geral dos Filhos da Divina Providência e no VIII da Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade foi tratado e decidido a orientação da Pequena Obra para a "promoção da vocação e do papel dos leigos".
  2. 1995: o Superior Geral endereça a todos os Filhos da Divina Providência uma "Carta programática" para viabilizar o MLO; a essa, segue-se aquela análoga da Superiora Geral que compromete também as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade no mesmo caminho.
  3. 1997: em Rocca di Papa, durante o  primeiro Congresso Mundial do MLO, são confrontadas idéias e experiências dos primeiros passos do movimento e concordadas algumas orientações comuns para o futuro. Tal evento, confortado por uma particular Mensagem do Papa, pode ser considerado o ato de nascimento oficial do Movimento.

 

 
5. Relações na Família Orionita
 
Desde o início, Dom Orione Pensou na Pequena Obra da Divina Providência (Filhos da Divina Providência, Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade e vários componentes laicais) como a “planta única com diversos ramos”, “corrente de águas vivas que espalham em tantos canais”, como “uma família unida em Cristo”.
Juntos, religiosos/as, leigos/as, vivem e difundem a riqueza carismática transmitida por Dom Orione  através de uma reciprocidade de dons dentro da família orionita. Os religiosos/as, “guias espertos da vida espiritual”, são chamados a “cultivar nos leigos/as o talento mais precioso: o espírito”. Os leigos/as “que escolheram partilhar o carisma orionino vivendo no mundo, são  convidados a ser zelosos e generosos em oferecer à Pequena Obra da Divina Providência a preciosa contribuição de sua secularidade e de seu serviço específico”.

Para uma apresentação pública da Família Orionita (FDP, PIMC, ISO, MLO), reconhecem no Superior Geral em comunhão com a mesma, enquanto sucessor de Dom Orione, o ponto de referência do carisma do Fundador.

 

 
6. Sede
 

            A sede geral do MLO é em Roma, onde se encontram também as Sedes das Congregações religiosas de Dom Orione.

 

II. VALORES INSPIRADORES
Existem dons diferentes, mas o Espírito é o
mesmo; diferentes serviços, mas o Senhor é o
mesmo; diferentes modos de agir,
mas  é o mesmo Deus que realiza tudo em  todos”
(1 Cor 12,4-6)

 

7. O Carisma Orionino
 
O carisma de Dom Orione consiste em “viver e difundir o conhecimento e o amor de Jesus Cristo, da Igreja e do Papa, especialmente no povo e entre os pobres mais distantes de Deus e mais abandonados” afim de que, cada pessoa possa encontrar a própria dignidade e a liberdade dos filhos de Deus. Os leigos e leigas do MLO, confiantes na Divina Providência, como Dom Orione, comprometem-se em viver o carisma e a construir um mundo mais justo e mais humano, em contínua atenção aos sinais dos tempos, para “Instaurare omnia in Christo”.
 
 
8. Aspectos Característicos da Espiritualidade do Orionita
 
Somos herdeiros dos quatro grandes amores de Dom Orione: Jesus, Maria, Papa, Almas.
 
  1. JESUS: “Só Ele é a fonte viva de fé e de caridade que pode restaurar e renovar o homem e a sociedade”.
  2. MARIA: “a quem veneramos e proclamamos como nossa Mãe e celeste Fundadora da Pequena Obra”
  3. PAPA: “o Papa é o vigário de Jesus Cristo nosso Deus e Redentor, é o ‘doce na terra’, como o chamou Santa Catarina de Sena; é o nosso guia seguro, é o nosso Mestre infalível, é nosso verdadeiro Pai”.
  4. ALMAS: “Almas e Almas! Eis toda a nossa vida; eis o nosso grito, o nosso programa, toda a nossa alma, todo o nosso coração”.
 
Reconhecemos como aspectos característicos da nossa espiritualidade: o empenho na caridade que salvará o mundo (“só a caridade salvará o mundo”); a operosa confiança na Divina Providência; o amor à Eucaristia, a Cristo Crucificado, a Nossa Senhora, à Igreja e ao Papa; a valorização e o respeito pela pessoa, com a atenção aos pobres mais pobres, aos últimos e aos mais distantes; o espírito de pobreza evangélica e de família; a missionaridade e a paixão pela unidade; o otimismo na fé, a alegria, a humildade, a simplicidade, a esperança, a acolhida, a partilha e o espírito de adaptação à fadiga; a iniciativa, a disponibilidade e a atenção às novas formas de pobreza.
 
 
 
9. Dom Orione com os leigos
 
Para realizar o “sonho” de levar o Evangelho e a caridade a todos os povos, Dom Orione, pioneiro em promover as vocações laicais, entendeu perfeitamente que devia procurar a colaboração e a co-responsabilidade dos leigos e Leigas; esses participariam das atividades da Pequena Obra no campo das realidades temporais com os religiosos e as religiosas e poderiam ir lá, onde estes não podem ordinariamente chegar, assegurando assim a presença da Igreja no serviço missionário e apostólico da caridade.
A atenção particular, afetuosa e paterna de Dom Orione para com os leigos e leigas, vê-se refletida em muitos dos seus escritos e cartas pessoais, na quais fazia-os conhecedores das aspirações do seu espírito e ajudava-os com os seus conselhos.
Tudo isto deve-se à sua profunda intuição de que o povo cristão é o verdadeiro artífice da renovação da sociedade.
 
 
 
10. Espírito Apostólico Orionita
 
O Espírito Santo está suscitando na Igreja uma mais viva consciência da vocação dos leigos e leigas e a sua missão para renovar em Cristo a pessoa humana e a sociedade.
 
Para encarnar a consagração batismal, inspirando-se em Dom Orione, os leigos e leigas comprometem-se com a alegre disponibilidade a:
 
  1. “ser fermento, uma pacífica força de renovação cristã” semeando Cristo no coração das pessoas, da sociedade e das culturas, colocando-se ao serviço dos jovens, do “pobres  mais pobres” e da Igreja;
  2. construir o Reino de Deus mediante gestos, obras de caridade e de promoção da justiça, denúncia das violações da dignidade humana, respeitando a diversidade dos dons e a vocação de cada pessoa e de cada comunidade, de cada povo e de cada grupo, tornando-se uma coisa só através do carisma do Pai Fundador.
  3. formar as crianças, os jovens e os adultos para os valores espirituais e civis da liberdade, da tolerância, da fraternidade, da justiça, da solidariedade e da responsabilidade.
  4. aderir ao mandato do Papa aos leigos e leigas para o terceiro milênio: "prosseguir no caminho da esperança, construindo o futuro a partir de sua específica vocação cristã. Solidamente radicados em Cristo e sustentados pelos ensinamentos sempre atuais do Concílio Vaticano II, testemunhem o Evangelho aos homens e mulheres do nosso tempo".
 
 
 
III. FORMAÇÃO
 
“Não estava no nosso coração ardendo
Quando ele nos falava pelo caminho,
e nos explicava as Escrituras?”
(Lc 24,32)
 
 
11. Importância e Finalidade da Formação
 
“Para descobrir e viver a própria vocação e missão, os fiéis leigos devem ser formados àquela unidade da qual é assinalado o seu próprio ser membros da Igreja e cidadãos da sociedade humana”.
 
O MLO, reforçando nos seus membros o sentido de pertença à Igreja mediante o batismo, ajuda a formá-los no carisma orionino, que constitui a sua identidade e razão de ser na Igreja, com objetivo de oferecer ao povo de Deus a contribuição específica para a qual o Senhor suscitou Dom Orione e a Pequena Obra. A formação consiste num caminho gradual, global e permanente através de uma revelação vital com a Palavra de Deus, com a Igreja, sob o exemplo de Dom Orione, com concretas relações e experiências eclesiais e orioninas.
 
 
12. Conteúdos Específicos
 
Somos conscientes, como relembrava Dom Orione, que devemos “primeiro renovar-nos em Cristo, para depois renovar os outros” através de uma formação humana, espiritual, doutrinal, missionária e carismática.
 
Conteúdos específicos da formação ao carisma orionino que não podem faltar são os seguintes:
 
  1. profundo respeito pela pessoa humana: ‘servir nos homens o Filho do Homem”;
  2. educação à caridade universal, com atenção aos “pobres mais pobres”: “fazer o bem a todos, fazer o bem sempre, o mal nunca a ninguém”;
  3. sentido de pertença à Igreja e ao Papa: “ninguém nos vença no amar com todas as nossas forças o Papa e a Igreja, ninguém nos vença no amor, na devoção, na generosidade para com a Mãe Igreja e o Papa”;
  4. compromisso ecumênico: “é próprio do nosso Instituto promover, na sua pequenez, a ação da Divina Providencia no conduzir as almas e as instituições humanas e tomar lugar na Santa Igreja… consagrando-se com todo estudo e sacrifício de caridade, a obter a união das Igrejas separadas”;
  5. confiança na Divina Providência, que leva a vier o espírito de pobreza: “A perfeita alegria não pode acontecer senão na perfeita dedicação de si a Deus e aos homens”;
  6. devoção a Maria: “A Jesus, ao Santo Padre e às Almas, por Nossa Senhora”.
 
O “projeto” formativo prevê também:
 
  1. o aprofundamento do conhecimento do Fundador, dos Santos de família e da vida da Pequena Obra da Divina Providência;
  2. momentos de vida orionina com festas de família, atividades caritativas, peregrinações a lugares orioninos, tempos de oração, encontros formativos e retiros da família orionita.

     
    13. Estruturas de Formação
     
    As coordenações nos vários níveis, ao estabelecer relações entre as diferentes realidades locais, culturais e sociais, e respeitando as características próprias de cada grupo, iniciarão um processo de formação que sustente e promova, em cada membro, a vocação laical a partir da identidade orionina com referência ao conhecimento, às atitudes e às habilidades operativas.
     
     
     
    14. Responsabilidades Formativas de Coordenação
     
    As coordenações têm a responsabilidade de:
     
    COORDENAÇÃO LOCAL E/OU REGIONAL:
     

    < >desenvolver e conservar a própria identidade espiritual e apostólica mediante encontros de formação, jornadas de espiritualidade, retiros, peregrinações e divulgação de material orionino;favorecer a participação em alguns momentos de oração com a comunidade religiosa.criar condições formativas para aprofundar linhas programáticas comuns;cuidar da formação dos formadores/as. Será constituído, para tal objetivo, um centro de estudos e uma equipe mista, de consagrados/as e leigos/as, que promovam subsídios e propostas formativas.Organizar anualmente os exercícios espirituais da família orionita.IV. MISSÃO

     
    Cada um viva de acordo com a graça
    recebida e coloquem-se a serviço dos outros,
    como bons administradores das
    muitas formas da graça
    que Deus concedeu a vocês.”
    (1 Pd 4,10)
     
     
    15. Testemunho e Missão
     
    O objetivo do nosso testemunho e missão, como ensinava Dom Orione, é aquele de “instaurare omnia in Christo: iluminar e santificar as almas no conhecimento e na caridade de Deus, e renovar sucessivamente todas as instituições e todas as coisas, também pertencentes à sociedade civil dos homens”.
     
    Realizamos a nossa vocação no “buscar o Reino de Deus conhecendo a realidade e ordenando-a segundo Deus”, “sendo portadores de uma fé e confiança inabalável na Divina Providência” e “empenhando-nos na realidade social para favorecer o progresso civil e religioso da humanidade”.
     
    Este se manifesta nas escolhas de formação pessoal e de grupo, no compromisso e no testemunho no âmbito da comunidade eclesial e civil.
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