Ir. Celso Diego, da Província Nossa Senhora de Fátima, participa do Encontro Internacional dos Religiosos Irmãos Orionitas

Ir. Celso Diego, da Província Nossa Senhora de Fátima, participa do Encontro Internacional dos Religiosos Irmãos Orionitas

Em Tortona e arredores, está em curso a primeira etapa do Encontro Internacional dos Religiosos Irmãos Orionitas, dedicado ao tema “Às raízes do carisma” e liderado pelo Vigário Geral, Pe. Maurizio Macchi. Onze Irmãos provenientes da Itália, Argentina, Brasil, Costa do Marfim e Romênia estão vivendo uma semana intensa, percorrendo os passos de Dom Orione e visitando os lugares que marcaram sua vida e o nascimento da Pequena Obra. Este itinerário não é apenas uma peregrinação geográfica, mas um retorno às fontes: uma forma de tocar com as próprias mãos as raízes espirituais e carismáticas que continuam a nutrir a vocação orionita hoje.

A primeira jornada do encontro abriu-se na manhã de 25 de março com uma meditação guiada pelo Diretor Geral, Pe. Tarcísio Vieira, sobre o tema da “segunda chamada” — aquele momento em que a vocação, após o entusiasmo do início, atravessa a prova e se deixa moldar novamente por Deus. Ele levou os Irmãos de volta às margens do Mar da Galileia, onde tudo começou: a frescura da primeira chamada, a generosidade jovem e a “ilusão provisória” que, como recorda Voillaume, permite ao discípulo ousar.Antes de prosseguir, o Pe. Tarcísio convidou cada um a contar a sua própria história vocacional: um entrelaçamento de memórias, gratidão e fraternidade que deu calor à manhã. Depois, a reflexão tomou um rumo mais profundo: o tempo da crise, quando Deus parece distante e a fragilidade emerge com força. É o momento do pranto de Pedro após a negação, o tempo das tentações, do desânimo e da mediocridade. Mas exatamente ali, recordou o Pe. Tarcísio, nasce a segunda chamada: aquela do Ressuscitado que, às margens do Tiberíades, não pede perfeição, mas amor. É a passagem da força para a pobreza, da santidade imaginada para a santidade recebida.Três são os passos para acolhê-la: descobrir Deus no cotidiano, reconhecê-lo mesmo na aridez e amar a Igreja e a Congregação em seu rosto concreto e pobre. Porque, como diz o Papa Francisco, não é tempo de recolher o barco, mas de lançar ainda as redes.À tarde, o Pe. Flavio Peloso acompanhou os Irmãos na Casa Paterno, coração histórico e espiritual da Congregação. Os lugares onde Dom Orione viveu, rezou, governou a Pequena Obra e manteve intensa correspondência com religiosos, leigos e benfeitores de todo o mundo foram percorridos através de escritos autógrafos do Fundador e referências ao contexto histórico e social da época. Uma visita que transformou a memória em contemplação, ajudando cada um a reconhecer, nas pedras e nos documentos do passado, as raízes vivas de uma vocação que pede sempre para recomeçar.

No dia seguinte, os Irmãos orionitas dirigiram-se a Montebello della Battaglia, na Villa Lomellini, que guarda a memória viva da formação orionita. Não se trata de um simples lugar histórico, mas de um ambiente que continua a gerar identidade. A manhã foi guiada pelo Conselheiro Geral, Pe. Fernando Fornerod, e centrada no tema da identidade do Irmão orionita — mais precisamente, no apostolado da caridade como princípio estruturante do carisma.

O Pe. Fernando ofereceu um quadro teológico-carismático claro e fecundo: a caridade não é uma estratégia social ou sanitária, nem apenas uma obra de serviço eficaz. A caridade é uma forma — uma expressão histórica do carisma — que revela quem somos e de onde viemos. Sua reflexão entrelaçou-se em torno de três imagens inseparáveis: caridade como intimidade, caridade como comunhão e caridade como missão. O elemento central é a relação: com Jesus, com os Irmãos e com os últimos. É esta tríplice relação que dá forma à identidade orionita. O ponto de vista privilegiado, recordou o Pe. Fernando, é justamente o dos últimos, porque quem está embaixo tem uma visão mais ampla: Jesus fez-se o último exatamente para chegar a todos.

Antes da Missa, os Irmãos visitaram a Casa e ouviram o testemunho do Sr. Eduard, que contou a história e a missão atual desta realidade, enriquecendo a reflexão com o rosto concreto de quem hoje habita e anima estes espaços.À tarde, o caminho prosseguiu para o Eremitério de Sant’Alberto di Butrio, lugar caríssimo a Dom Orione. O Pe. Ivan e o Frei Fausto acolheram o grupo com simplicidade fraterna, contando a história do eremitério e a figura luminosa do Frei Ave Maria, testemunha silenciosa da espiritualidade orionita. Diante do seu túmulo, os Irmãos detiveram-se em oração: um momento essencial onde a história se fez contemplação. Após um lanche partilhado, o dia encerrou-se com as Vésperas e o Rosário, rezado pelo eremitério, pelos eremitas e por todos os Irmãos espalhados pelo mundo.

O encontro prosseguirá com a visita aos lugares da memória e da identidade orionita até o fim do mês. De 1 a 5 de abril, os Irmãos deslocar-se-ão para Roma para a segunda etapa deste percurso: um tempo de graça vivido no coração da Igreja, participando dos ritos solenes da Semana Santa e da Páscoa ao lado do Santo Padre. Uma experiência de comunhão que supera fronteiras culturais e geográficas, fazendo com que cada um se sinta parte viva e corresponsável da Igreja inteira.Segundo o Ir. Celso, a experiência é uma bela maneira de conhecer as primícias da Congregação e inserir-se de maneira pessoal no sonho de Dom Orione, que profetizou sua Congregação aberta aos novos tempos e, ao mesmo tempo, fiel àquela “beleza sempre nova” que é o Evangelho.

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