“Era São José, verdadeiramente São José que quis nos confortar…”

“Era São José, verdadeiramente São José que quis nos confortar…”

O testemunho de São Luís Orione nos conduz ao coração da confiança na Providência Divina. Em meio à pobreza extrema, quando já não havia sequer o pão e os credores batiam à porta, a resposta não veio pela lógica humana, mas pela fé perseverante. São José, silencioso e fiel guardião, manifesta-se como aquele que provê no tempo de Deus, não no nosso. A aparente demora da graça, na verdade, educa o coração para uma confiança mais pura: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33).

São Luís Orione nos ensina que a Providência não falha, mesmo quando parece tardar. Deus age muitas vezes no escondimento, no mistério, e até no inesperado. Aquele “senhor desconhecido” recorda que o céu não abandona os que se colocam nas mãos de Deus com fé sincera. Como também nos recorda o Papa Francisco, “São José é o homem que passa despercebido, mas exerce uma presença diária, discreta e escondida” e justamente assim realiza grandes obras.

Este relato nos convida a renovar nossa confiança, sobretudo nos momentos de angústia. Quando tudo parece faltar, Deus continua presente. E talvez, como naquela casa de Orione, Ele já esteja descendo as escadas ao nosso encontro.

“Nos inícios, nos momentos em que não tínhamos pão… não tínhamos nada, foi São José quem veio ao nosso encontro. Mas naquele ano parecia que o querido São José não quisesse vir em nosso auxílio. Chegou justamente o mês de março, e tínhamos uma grande necessidade de dinheiro: eram momentos muito angustiantes, e nos confiávamos muito a São José, que é invocado como administrador, melhor ainda como provedor das casas, assim como foi provedor da Sagrada Família.

Em vez de chegar ajuda, vinham os credores para que lhes pagássemos. Eu não conseguia livrar-me deles. Um dia estávamos literalmente sem nada. O porteiro era então o nosso querido Dom Zanocchi, que estava conosco havia apenas alguns meses. E era a véspera da festa! O porteiro chegou correndo e me disse:“Há um senhor que quer falar com o senhor!”. “Mas quem é? É um credor?”. “Não o conheço.” “Não é o açougueiro ou o leiteiro?”. “Não sei.” “Nunca o vi.” “Veja bem se não é algum credor!”.

Desço as escadas depressa e encontro diante de mim um senhor vestido modestamente e com um cavanhaque loiro. Aquele senhor me disse: “O senhor é o superior? Aqui está uma quantia de dinheiro!”, e tirou um envelope grosso. Então lhe perguntei se devíamos mandar celebrar algumas missas: “Temos alguma obra de caridade a fazer?”. “Não, não!”, respondeu. “Não há nada a fazer. Apenas continuar rezando!”.

Eu nunca o tinha visto. Ele me olhou por um instante e, cumprimentando-me com uma inclinação, foi embora rapidamente. Eu teria querido detê-lo um pouco, mas aquela presença e aquelas palavras me deixaram como que encantado. Aquele senhor deu alguns passos; saiu pela porta, desceu o degrau, mas depois não foi mais visto, nem à direita nem à esquerda, nem sob os pórticos nem na igreja; no pátio estavam apenas os rapazes… Mandou-se imediatamente dois deles para procurá-lo, mas foi inútil.

Depois veio Monsenhor Novelli, e contou-se a ele o que havia acontecido. E ele disse: “Era São José, era verdadeiramente São José, que quis nos confortar!”. Entre nós, de fato, sempre acreditamos que foi São José.

Este fato sempre foi contado como reconhecimento a São José por aquela providência extraordinária. E julguei oportuno falar disso, para que também vocês, depois de tantos anos passados, queiram ainda agradecê-lo comigo.” (Parola, 18 de março de 1938).

Ave Maria e Avante!

Clérigo Victor Manuel Oliveira Barros

No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.