29 mar Ir. Celso Diego, da Província Nossa Senhora de Fátima, participa do Encontro Internacional dos Religiosos Irmãos Orionitas
Em Tortona e arredores, está em curso a primeira etapa do Encontro Internacional dos Religiosos Irmãos Orionitas, dedicado ao tema “Às raízes do carisma” e liderado pelo Vigário Geral, Pe. Maurizio Macchi. Onze Irmãos provenientes da Itália, Argentina, Brasil, Costa do Marfim e Romênia estão vivendo uma semana intensa, percorrendo os passos de Dom Orione e visitando os lugares que marcaram sua vida e o nascimento da Pequena Obra. Este itinerário não é apenas uma peregrinação geográfica, mas um retorno às fontes: uma forma de tocar com as próprias mãos as raízes espirituais e carismáticas que continuam a nutrir a vocação orionita hoje.
A primeira jornada do encontro abriu-se na manhã de 25 de março com uma meditação guiada pelo Diretor Geral, Pe. Tarcísio Vieira, sobre o tema da “segunda chamada” — aquele momento em que a vocação, após o entusiasmo do início, atravessa a prova e se deixa moldar novamente por Deus. Ele levou os Irmãos de volta às margens do Mar da Galileia, onde tudo começou: a frescura da primeira chamada, a generosidade jovem e a “ilusão provisória” que, como recorda Voillaume, permite ao discípulo ousar.Antes de prosseguir, o Pe. Tarcísio convidou cada um a contar a sua própria história vocacional: um entrelaçamento de memórias, gratidão e fraternidade que deu calor à manhã. Depois, a reflexão tomou um rumo mais profundo: o tempo da crise, quando Deus parece distante e a fragilidade emerge com força. É o momento do pranto de Pedro após a negação, o tempo das tentações, do desânimo e da mediocridade. Mas exatamente ali, recordou o Pe. Tarcísio, nasce a segunda chamada: aquela do Ressuscitado que, às margens do Tiberíades, não pede perfeição, mas amor. É a passagem da força para a pobreza, da santidade imaginada para a santidade recebida.Três são os passos para acolhê-la: descobrir Deus no cotidiano, reconhecê-lo mesmo na aridez e amar a Igreja e a Congregação em seu rosto concreto e pobre. Porque, como diz o Papa Francisco, não é tempo de recolher o barco, mas de lançar ainda as redes.À tarde, o Pe. Flavio Peloso acompanhou os Irmãos na Casa Paterno, coração histórico e espiritual da Congregação. Os lugares onde Dom Orione viveu, rezou, governou a Pequena Obra e manteve intensa correspondência com religiosos, leigos e benfeitores de todo o mundo foram percorridos através de escritos autógrafos do Fundador e referências ao contexto histórico e social da época. Uma visita que transformou a memória em contemplação, ajudando cada um a reconhecer, nas pedras e nos documentos do passado, as raízes vivas de uma vocação que pede sempre para recomeçar.
No dia seguinte, os Irmãos orionitas dirigiram-se a Montebello della Battaglia, na Villa Lomellini, que guarda a memória viva da formação orionita. Não se trata de um simples lugar histórico, mas de um ambiente que continua a gerar identidade. A manhã foi guiada pelo Conselheiro Geral, Pe. Fernando Fornerod, e centrada no tema da identidade do Irmão orionita — mais precisamente, no apostolado da caridade como princípio estruturante do carisma.
O Pe. Fernando ofereceu um quadro teológico-carismático claro e fecundo: a caridade não é uma estratégia social ou sanitária, nem apenas uma obra de serviço eficaz. A caridade é uma forma — uma expressão histórica do carisma — que revela quem somos e de onde viemos. Sua reflexão entrelaçou-se em torno de três imagens inseparáveis: caridade como intimidade, caridade como comunhão e caridade como missão. O elemento central é a relação: com Jesus, com os Irmãos e com os últimos. É esta tríplice relação que dá forma à identidade orionita. O ponto de vista privilegiado, recordou o Pe. Fernando, é justamente o dos últimos, porque quem está embaixo tem uma visão mais ampla: Jesus fez-se o último exatamente para chegar a todos.
Antes da Missa, os Irmãos visitaram a Casa e ouviram o testemunho do Sr. Eduard, que contou a história e a missão atual desta realidade, enriquecendo a reflexão com o rosto concreto de quem hoje habita e anima estes espaços.À tarde, o caminho prosseguiu para o Eremitério de Sant’Alberto di Butrio, lugar caríssimo a Dom Orione. O Pe. Ivan e o Frei Fausto acolheram o grupo com simplicidade fraterna, contando a história do eremitério e a figura luminosa do Frei Ave Maria, testemunha silenciosa da espiritualidade orionita. Diante do seu túmulo, os Irmãos detiveram-se em oração: um momento essencial onde a história se fez contemplação. Após um lanche partilhado, o dia encerrou-se com as Vésperas e o Rosário, rezado pelo eremitério, pelos eremitas e por todos os Irmãos espalhados pelo mundo.
O encontro prosseguirá com a visita aos lugares da memória e da identidade orionita até o fim do mês. De 1 a 5 de abril, os Irmãos deslocar-se-ão para Roma para a segunda etapa deste percurso: um tempo de graça vivido no coração da Igreja, participando dos ritos solenes da Semana Santa e da Páscoa ao lado do Santo Padre. Uma experiência de comunhão que supera fronteiras culturais e geográficas, fazendo com que cada um se sinta parte viva e corresponsável da Igreja inteira.Segundo o Ir. Celso, a experiência é uma bela maneira de conhecer as primícias da Congregação e inserir-se de maneira pessoal no sonho de Dom Orione, que profetizou sua Congregação aberta aos novos tempos e, ao mesmo tempo, fiel àquela “beleza sempre nova” que é o Evangelho.









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