12 mar “Jesus… vou.” – A última palavra de Dom Orione
A vida dos santos tem algo de profundamente luminoso, mesmo quando se aproxima o momento da morte, não há sombra definitiva, mas uma espécie de aurora; a Igreja sempre compreendeu assim o dia em que um santo deixa esta terra, não se trata apenas do fim de uma história humana, mas do início de uma plenitude. Por isso, o dia 12 de março de 1940, quando São Luís Orione entregou sua vida ao Senhor, pode ser contemplado como o momento em que aquele sacerdote apaixonado por Deus e pelos pobres entrou definitivamente na casa do Pai.
Se quisermos encontrar uma frase que resuma a existência de Dom Orione, podemos recorrer às palavras do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7). De fato, a vida de Dom Orione foi uma longa corrida marcada pela fé, pela confiança na Providência e por uma caridade que parecia não conhecer limites, tudo nele apontava para um coração ardente, ardente de amor por Cristo, ardente de amor pela Igreja, ardente de compaixão pelos pobres.
Naquele último dia, contudo, nada parecia extraordinário, Dom Orione fez o que sempre fazia, levantou-se cedo, dirigiu-se à capela e mergulhou na oração, a Eucaristia, centro de sua vida, foi celebrada com a mesma devoção que havia marcado tantos anos de seu sacerdócio, mesmo cansado, mesmo debilitado pela doença, manteve o ritmo de sempre, como alguém que sabia que cada dia é uma oportunidade para amar mais. Há um pequeno gesto daquele dia que revela muito de sua alma, ao perceber que um sacerdote celebraria a missa sem assistência, Dom Orione aproximou-se do altar e, com simplicidade desarmante, colocou-se como coroinha, ajoelhado, acompanhou toda a celebração com recolhimento. Quem poderia imaginar que o fundador de tantas obras, o homem que havia atravessado cidades e nações para levar consolo aos pobres, terminaria assim, no silêncio humilde de quem serve o altar? No entanto, é precisamente assim que se reconhece um verdadeiro discípulo de Cristo, quanto mais alto se chega no amor, mais profundo se torna o caminho da humildade.
O dia seguiu seu curso entre cartas, encontros e preocupações apostólicas, Dom Orione escrevia muito, pois através de suas cartas mantinha viva a comunhão com seus filhos e filhas espirituais espalhados pelo mundo. Ali estavam suas preocupações com os órfãos, com os doentes, com os missionários, com as obras nascidas da Providência, mesmo cansado, continuava pensando nos outros.
Já era noite quando o telefone tocou, do outro lado da linha falavam de uma mulher pobre e doente que precisava de acolhida, era tarde, Dom Orione estava exausto, qualquer pessoa teria adiado a decisão para o dia seguinte, mas ele respondeu imediatamente, que a levassem ao Pequeno Cottolengo, que fosse acolhida sem demora. Talvez aquele tenha sido o último gesto de sua caridade, estando no limite de suas forças, o coração continuava voltado para quem sofria.
Depois disso, recolheu-se ao quarto, o silêncio da noite envolvia a casa, já havia rezado o Rosário, como fazia todos os dias, entregando à Virgem Maria as preocupações do mundo e pouco depois começou a sentir-se mal; a respiração tornou-se pesada, o corpo enfraqueceu rapidamente, o enfermeiro correu para ajudá-lo, naquele momento já se aproximava a hora do encontro definitivo e então aconteceu algo de grande simplicidade e, ao mesmo tempo, de profunda beleza espiritual, levantando os olhos para o céu, Dom Orione pronunciou suas últimas palavras: “Jesus… Jesus… vou, vou!” Não houve discursos, nem despedidas longas, apenas o nome de Jesus e um gesto de confiança, como uma criança que reconhece a voz do Pai e corre em sua direção.
Em certo sentido, toda a vida de Dom Orione havia sido uma preparação para esse momento, cada obra de caridade, cada gesto de misericórdia, cada missa celebrada, cada pobre abraçado, tudo apontava para aquele encontro final com Cristo.
Há algo imensamente precioso nessa cena. O cristianismo não é apenas uma doutrina ou um conjunto de ideias religiosas; é, antes de tudo, uma relação viva com uma pessoa: Jesus Cristo; e Dom Orione viveu dessa relação. Por isso, no momento decisivo, seu coração pronunciou apenas o nome daquele que havia amado durante toda a vida.
Contemplar o final da vida de Dom Orione é também um convite para olhar a própria existência, para onde estamos caminhando? Em meio às preocupações cotidianas, às responsabilidades e aos projetos que ocupam nossos dias, talvez corramos o risco de esquecer que nossa vida é uma peregrinação, tudo passa, o que permanece é o amor que fomos capazes de viver e nosso Santo Fundador compreendeu isso profundamente. Por isso, a sua frase, que creio eu seja a mais conhecida, continua ecoando como um programa de vida: “Só a caridade salvará o mundo.” Não era um slogan, mas uma convicção nascida do Evangelho, para ele, a fé em Deus se tornava visível quando se transformava em amor concreto pelos pobres, pelos pequenos, pelos esquecidos. Hoje, tantos anos depois, sua vida continua falando à Igreja, em um mundo marcado pela indiferença, guerras e pelo individualismo, o testemunho de Dom Orione recorda que a verdadeira grandeza nasce da caridade, a Igreja cresce quando se aproxima dos que sofrem, quando se inclina sobre as feridas humanas, quando se torna casa para aqueles que não têm casa. Talvez seja por isso que a última palavra de Dom Orione permaneça tão cheia de significado: “Jesus… vou.” Não foi apenas a frase de um homem que morria, mas a expressão de alguém que viveu sempre orientado para Cristo e talvez essa seja também a pergunta que sua vida deixa para cada um de nós, se hoje fosse o nosso encontro definitivo com o Senhor, poderíamos dizer com a mesma confiança, Jesus, estou indo?
A resposta não se constrói em um único instante, mas no caminho cotidiano da fé, da humildade e da caridade, como filhos de Dom Orione, seguir o modo de vida que ele viveu e é assim que ele continua a iluminar a vida da Igreja.
Que São Luís Orione interceda por nós, seus filhos e filhas, a Deus, juntamente com Nossa Senhora, a Mãe Da Divina Providência!
Ave Maria e Avante!
Clérigo Victor Manuel Oliveira Barros


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