NATAL, TEMPO DE MEL

NATAL, TEMPO DE MEL

CONVERSA DE GRÁVIDAS

 

Vivemos o Natal. Natal é alegria. É o nascimento da vida, da vida plena. Deus veio morar entre nós. Toda mãe, todo pai e toda família sabe que é Natal, quando nasce uma criança em nosso lar. É a esperança divina que se renova no coração de sua criação. Nascimento de uma planta,. um animal, de uma estrela. Imagina o nascimento de uma criança. É a felicidade sem fim.

Natal é mel. Natal é ternura e doçura de Deus.

Duas senhoras, no meio disso estavam alarmadas e com razão. Tinham voltado de uma viagem. Estava grávida e apavorada, preocupada  se seu filhinho poderá nascer com problemas de microcefalia. Ela mesma tinha tido dengue.

Será que seu Natal será fel, vai amargar o mel da vida? A outra fez os exames e aguarda o resultado.

– O que devemos fazer, estou apavorada.

– Será que me filhinho vai nascer com problemas de saúde?

– Temos que ter esperança, vai dar tudo certinho. Vai ter a felicidade de ser mãe. Vai ser seu pote de mel.

– E se o mel amargar, disse alguém do lado. Se virar fel?

– Tenho muito medo. A televisão falou que não devemos engravidar agora.

– Eu também, mas fiquei sabendo depois que engravidei. Sempre sonhei ter um filhinho.

– Estamos em preces. Estamos nas mãos de Deus.

– Será meu pote de mel, disse Ana Helena, será minha felicidade.

– Nada vai tirar a doçura da minha maternidade. Será doce e será meu tesouro.

Conversamos depois. O que é a grandeza da alma destas mães. O grupo conversava e o refrão das  conversas se repetiam. Nada vai tirar a felicidade da graça de ter seus filhos. Com certeza estas mães que terão seus filhos com deficiências não verão amargar seu pote de mel.

Se tivessem honra e consciência, deveria amargar a ceia de Natal dos poderosos que roubaram o dinheiro da educação para enriquecer seus cofres pessoais. Deveria amargar a ceia dos legislativos que se enriquecem e espoliam a pasta da saúde,  governantes que enchem de secretarias seus gabinetes e inventam fundações para enriquecer seus comparsas, parlamentares com dezenas de assessores e pedágios,  senadores com milhões  usurpados dos cofres públicos e governantes enriquecidos, à custa de impostos, taxas e mais taxas.

E tudo regado a mentiras, afastamento dos necessitados, propagandas mentirosas e migalhas insignificantes para as necessidades do povo.

Se tivessem consciência, estes parlamentares, que se dizem cristãos e que muitas vezes ficam repetindo o nome de Deus em vão, sentiriam amargar em fel suas ceias, suas mansões, seus projetos de leis, que justificam e legalizam sua corrupção moral.

O mel se torna fel, quando nos faltam governantes que cuidam dos pobres e que sejam mais honestos e menos demagogos. Repetimos a pergunta que não quer se calar: fale um nome de um governante (presidente, governador, prefeito, vereador, deputado, o que for), que não ficou rico e que possa dizer: "esse vive para o povo". A resposta mais clara é: "esse vive do povo".

Criança é um bem divino, veja o nosso Menino Deus nos dando a benção, e estas duas futuras mães, que estão preocupadas, amarão seus filhos, seja qual for o resultado. E amarão com mais amor ainda, pois eles precisarão muito mais dela do que pensamos. Momentos tristes na nossa vida dos brasileiros.  Nunca sofremos tanto politicamente, somente uma palavra nos dá o respaldo que explica o que sentimos: nojo da política brasileira. Temos bons governantes, por certo, mas estão sufocados na corrupção profunda do sistema de governo, federal, estadual e nos municípios

Que ano de terror, dengue e derivados, inflação novamente, parecia quase extinta e era pouca, pessoas endividadas sem ter como pagar, o desemprego, a indústria e comércio paralisada e em Brasília a dança das cadeiras, ver quem fica.

Comemorações daqueles que maltratam e mentem ao povo, dos que criaram a taxas, aumentaram cargos, batem palmas para fundações que desonram seus patronos.

Mas ainda é tempo de Natal. Tempo de purificar a alma. Tempo de mel. 

 

Pe. Antônio S. Bogaz (orionita), doutor em Filosofia, Liturgia e Sacramentos e

Teologia Sistemática – Cristologia

Prof. João H. Hansen, doutor em Literatura Portuguesa e

Ciência da Religião e Pós-doutor em antropologia